Não sei que esperança se pode ter no Brasil ainda, ja ficou claro que o populismo e a corrupção venceram e continuarão vencendo. O país ta fadado ao fracasso e eu não vejo em que situação isso poderia mudar.
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Não sei que esperança se pode ter no Brasil ainda, ja ficou claro que o populismo e a corrupção venceram e continuarão vencendo. O país ta fadado ao fracasso e eu não vejo em que situação isso poderia mudar.
O problema do Brasil é bem mais amplo que a corrupção e o populismo. Racismo também é uma realidade que reflete muito como nosso país foi constituído. Sobre o Bolsonaro, eu nunca tive sequer uma esperança com ele, porque nunca acreditei em heróis. Votei no Haddad com dor no coração, mas se ele tivesse ganhado, eu iria ser oposição a ele. Esse ano vou votar no Lula e foda-se. Eu nunca comprei essa farsa da Lava Jato.
Acho que esse caso aí é representativo da mãe de todos os problemas das democracias modernas, principalmente as latinas, que é o patrimonialismo. A gente tem esse problemas desde a colonização, desde as capitanias hereditárias. É o uso do Estado para benefício próprio, como se o poder estatal e as propriedades públicas concedidas aos eleitos (e até aos concursados) fossem uma extensão da própria pessoa. Não existe separação ética do que é público e do que é privado. Os caras nem percebem a própria corrupção, fica tudo muito subjetivo, afinal, "como eu vou roubar o que já é meu"? Você vê isso nos últimos governos que tivemos: o Palácio do Planalto vira sala de recepção de amigos, o avião oficial vira fretamento para familiares e agregados, a polícia estatal vira equipe de segurança, as Forças Armadas e polícias viram milícias, os ministros viram secretários, o cartão corporativo vira cartão pessoal.
O Bolsonaro conseguiu ir mais longe porque, além de fazer tudo isso, ainda matou o decoro do cargo. Nem esconder esconde mais, não tem mais polícia para investigar, não tem oposição e os apoiadores estão hipnotizados em uma idolatria sem sentido. É filho que vai turistar em viagem oficial, é ministro que vai para os EUA visitar amigo, é cartão corporativo que paga férias para o presidente e todas as dezenas de assessores e agregados sem qualquer tipo de transparência.
Esse vazamento do áudio do ministro não é nada perto do que está acontecendo nas internas do MEC. O verdadeiro "se vocês soubessem ficariam enojados". A responsabilidade jurídica me impede de fazer afirmações mas dá para dizer que, hipoteticamente, a pasta da Educação tem "donos" e nada mais é feito se os "donos" não autorizarem. Quem puxa saco e fala o que eles querem ouvir, tem vantagens, ganha cargos, verbas parlamentares e garantias em distribuições de recursos nas prefeituras. Amém.
É o melhor momento para alpinistas sociais que querem cargos importantes, o nível de quem se submete é muito baixo. Se eu tivesse um pouco menos de escrúpulo e mais cara de pau, estaria em uma situação financeira melhor do que o salário de professor que não foi corrigido nem pela inflação.
Se ganhar, né. Bolsopai já meteu aumento de 5% pros servidores federais, desistiu totalmente da reforma tributária e administrativa, vai liberar a primeira parcela do Auxílio Brasil e vale-gás pra esse mês, usou a estratégica liberação antecipada do FGTS e tá enchendo a base de emenda parlamentar. Para quem ia acabar com a reeleição, está usando muito bem a máquina para se reeleger.
O discurso contra o "patrimonialismo" geralmente é muito enviesado, e esconde uma ideologia privatista. Exageram o tamanho da corrupção existente dentro do governo, e como "solução" querem que todas as funções estatais passem para a esfera privada, onde a fiscalização é quase inexistente.
Em empresas privadas acontece a todo momento favorecimento de apadrinhados, desvio de dinheiro, competição desleal... Mas tudo isso é considerado simplesmente como normal. Porque aparentemente apenas a esfera pública é que tem a obrigação de seguir as regras...
Não necessariamente. Diagnosticar o patrimonialismo (sem aspas, porque é um conceito real) pode ser entender também que existe no Estado a falta de um espírito de bem público, assim como de mecanismos de transparência que facilitem a fiscalização da sociedade quanto ao uso dos recursos públicos. É também reconhecer que esse é um problema político-social e histórico, e que não é resolvido apenas na esfera econômica mas também nas esferas do debate público democrático e da cidadania.
Só que não há como negar que é impossível oferecer esses mecanismos e cobrar o espírito público quando o Estado é inchado e executa atribuições que estão muito além de sua capacidade centralista. Principalmente quando a assimilação dessas estruturas estatais também faz parte do processo histórico que reforçou esse patrimonialismo por séculos.
Eu não tenho nenhum problema com a imoralidade das pessoas, o problema é enfiarem no rabo o dinheiro que eu pago de imposto e não entregarem nada. Se a empresa privada quer colocar um adolescente de diretor, ter funcionario roubando o próprio caixa, puxando tapete, fazendo suruba de pessoas casadas... contanto que entreguem o serviço que foi pago, ta ótimo.