Sexta de manhã vou viajar para Goiania para fazer a segunda etapa do PAS (Programa de Avaliação Seriada), minha última prova do colégio é amanhã e acredito que não vou pegar recuperação! :)
Prometo que o próximo capítulo terá uma diversão maior, este só mostrou a personalidade de importantes personagens da história. E, fatos importantes que serão relembrados mais pra frente.
Achei esquisito o Roleplay ir quase para a segunda página.
É uma pena não estar mais agradando, mas ando muito ocupado e este capítulo foi escrito meio às pressas.
Sinto muito, mas estou fazendo o máximo que posso.
Capítulo 19 – A pata de Argos Fall.
Jeanette relutava em admitir, mas a presença dos homens de Vince Farz era uma vantagem para ela. Enquanto eles estivessem no pátio, ela se sentia segura na casa e começou a temer os longos períodos que eles passavam fora da cidade, porque era quando Sir Simon Skeat a perseguia. Ela começara a pensar que ele fosse o diabo, um diabo idiota, é claro, mas ainda assim um homem grosseiro, sem remorsos e sem sentimentos que convencera a si mesmo que não havia nada que Jeanette não quisesse tanto quanto ser sua esposa. Às vezes, ele se esforçava para fazer uma mesura desajeitada, embora de forma geral fosse arrogante e rude e sempre olhasse para ela como um cachorro olha para uma anca de carne. Ia à missa para que pudesse cortejá-la, e a Jeanette parecia que não podia andar pela cidade sem se encontrar com ele. Certa vez, encontrando-se com Jeanette no beco ao lado de uma grande construção, ele a imprensara contra a parede e correra os fortes dedos pelos seios dela.
- Eu acho, madame, que a senhora e eu fomos feitos um para o outro – disse ele, com todo o seu entusiasmo.
- O senhor precisa de uma mulher com dinheiro – disse ela, porque soubera por terceiros, na cidade, da situação das finanças de Sir Simon.
- Eu tenho o seu dinheiro – salientou ele – e isso liquidou metade de minhas dívidas, e o dinheiro pela captura dos navios irá pagar a maior parte do restante. Mas não é o seu dinheiro que eu quero, minha doçura, mas você. – Jeanette tentou livrar-se, mas ele a tinha presa contra a parede. – Você precisa de um protetor, minha cara – disse ele, e beijou-a ternamente na testa. Ele tinha uma boca curiosamente polpuda, lábios grossos e sempre molhados, como se a língua fosse grande demais, e o beijo úmido e fedia a vinho azedo. Ele forçou uma das mãos ventre abaixo e ela lutou com mais força, mas ele se limitou a apertar o corpo contra o dela e agarrou-lhe os cabelos sob a touca. – Você iria gostar de Fibula, minha cara.
- Prefiro viver no inferno.
Ele se atrapalhou com os laços do corpete dela e Jeanette tentou, em vão, empurra-lo para longe, mas só foi salva quando uma tropa de homens entrou no beco e o chefe fez uma saudação à Sir Simon, que teve que se virar, afastando-se, para responder, e isso permitiu que Jeanette se livrasse. Ela deixou a touca nas mãos dele ao correr para casa, onde trancou as portas e depois sentou-se soluçando, irritada e impotente. Sentia ódio dele.
Odiava todos de Thais, e no entanto, à medida que as semanas passavam, foi vendo os habitantes da cidade aprovando os ocupantes, que gastavam um bom dinheiro em La Roche-Ogre. A platina thaisense era de confiança, ao contrário da platina de Carlin, enfraquecida com chumbo ou estanho. A presença dos thaisenses isolara a cidade de seu comércio costumeiro com as Ilhas Geladas, Ab’Dendriel e a própria Carlin, mas os armadores tinham, agora, liberdade de negociar com Edron, a Baía da Liberdade e até mesmo com Thais, e por isso os lucros aumentaram. Navios locais eram fretados para importar flechas para as tropas de Thais, e alguns dos capitães dos navios traziam na volta fardos de lã thaisense que revendiam em outros portos de Batalha que ainda eram leais ao duque Charles. Poucas pessoas sentiam-se dispostas a viajar por terra para longe de La Roche-Ogre, porque tinham de obter um passe de Richard Totesham, o comandante da guarnição, e embora o pedaço de pergaminho os protegesse dos cavaleiros do diabo, não era defesa contra os bandidos que viviam nas fazendas esvaziadas pelos homens de Farz. Mas navios procedentes de La Roche-Ogre ainda podiam navegar para o leste, até Ab’Dendriel, ou para o oeste, até o porto para as Ilhas Geladas e, com isso, negociar com inimigos de Thais. Era assim quem se enviavam cartas para fora de La Roche-Ogre, e Jeanette escrevia quase toda semana para o duque Charles com notícias das mudanças que os thaisenses estavam fazendo nas defesas da cidade. Ela nunca recebeu resposta, mas se convenceu de que suas cartas eram úteis.
La Roche-Ogre prosperava, mas Jeanette sofria. A empresa de seu pai ainda existia, mas os lucros desapareciam de forma misteriosa. Os navios maiores sempre tinham partido de Northport, e embora Jeanette os mandasse para Edron a fim de levar vinho para o mercado de Thais, eles nunca voltavam. Ou eram capturados por navios de Carlin ou, o mais provável, seus capitães passavam a trabalhar por conta própria. As fazendas da família ficavam ao sul de La Roche-Ogre, no interior arrasado pelos homens de Vince Farz, e com isso aquelas rendas desapareceram. Jeanette não recebia nada das terras de seu falecido marido em três anos, de modo que sentia-se desesperada e por isso mandou chamar o advogado Belas para que fosse à sua casa.
Belas sentiu um prazer perverso ao dizer-lhe que ela ignorara seus conselhos, e que nunca deveria ter equipado os dois navios para a guerra. Jeanette suportou a pomposidade dele e depois pediu-lhe que redigisse uma petição de indenização que ela pudesse enviar à corte thaisense. A petição pedia as rendas das terras de seu falecido marido, que os invasores vinham recolhendo em benefício próprio. Jeanette sentia-se aborrecida com o fato de ter que pedir dinheiro ao rei Tibianus de Thais, mas que opção tinha? Sir Simon Skeat a deixara pobre.
Belas sentou-se à mesa e tomou notas num pedaço de pergaminho.
- Quantos moinhos em Batalha? – perguntou ele.
- Havia dois.
- Dois – disse ele, anotando o número. – A senhora sabe – acrescentou ele, cauteloso – que o duque requereu o direito a essas rendas?
- O duque? – perguntou Jeanette, perplexa. – Charles de Batalha?
- O duque Charles alega que as terras de seu marido, próximo à Batalha, são dele – disse Belas.
- Pode ser, mas o meu filho é o conde.
- O duque se considera o guardião do menino – observou Belas.
- Como é que o senhor sabe dessas coisas? – perguntou Jeanette.
Belas deu de ombros.
- Eu tenho me correspondido com empresários do duque que perambulam por Carlin.
- Sobre que assunto?
- Sobre outro assunto – disse Belas, para desviar a conversa –, um assunto totalmente diferente. Eu imagino que as rendas da fazenda eram arrecadas em parcelas trimestrais?
Jeanette olhou para Belas com desconfiança.
- Por que os empresários do duque iriam falar de Batalha com o senhor?
- Eles me perguntaram se eu conhecia a família. É claro que eu não revelei nada.
Ele estava mentindo, pensou Jeanette. Ela devia dinheiro a Belas. Na verdade, estava devendo a metade dos comerciantes de La Roche-Ogre. Sem dúvida, Belas achava que a conta dele não deveria ser paga por ela e, por isso, estava contatando o duque Charles para uma eventual liquidação.
- Senhor Belas – disse ela, com frieza –, o senhor vai me contar exatamente o que tem contado ao duque, e por quê.
Belas deu de ombros.
- Eu não tenho nada a dizer!
- Como vai a sua mulher? – perguntou Jeanette, delicada.
- As dores estão passando à medida que o inverno termina, graças a Uman. Ela está bem, madame.
- Neste caso, ela não ficará bem – disse Jeanette, mordaz – quando souber o que o senhor faz com a filha do seu escriturário? Que idade ela tem, Belas? Doze?
- Madame!
- Não venha com “madame”! – Jeanette deu um murro na mesa, quase derrubando o tinteiro. – Então, o que tem se passado entre você e os empresários do duque?
Belas suspirou. Colocou a tampa no frasco de tinta, largou a pena e esfregou as magras faces.
- Eu sempre cuidei dos assuntos legais desta família. É meu dever, madame, e às vezes eu tenho que fazer coisas que preferia não fazer, mas essas coisas também fazem parte do meu dever. – Ele deu um leve sorriso. – A senhora está devendo, madame. Poderia sanar suas finanças com facilidade, casando-se com um homem de substância, mas parece relutante em seguir esse caminho e, por isso, eu não vejo outra coisa que não a ruína em seu futuro. Ruína. Quer algum conselho? Venda esta casa e terá dinheiro suficiente para viver dois ou três anos, e nesse prazo não há dúvida de que o duque irá expulsar os thaisenses de Carlin e Batalha e a senhora e seu filho terão suas terras de volta.
Jeanette retraiu-se.
- O senhor acha que os demônios serão derrotados com tanta facilidade assim?
Ela ouviu o tropel de patas na rua e viu que os homens de Farz estavam de volta ao seu pátio. Enquanto cavalgavam, eles riam. Não pareciam homens que seriam derrotados dentro em breve; na verdade, ela achava que eles eram imbatíveis, porque tinham uma confiança jovial que a irritava.
- Eu acho, madame – disse Belas –, que a senhora tem que decidir quem a senhora é. A senhora é filha de Luis Halevy? Ou a viúva de Bardo Henri? É uma comerciante, ou uma aristocrata? Se for uma comerciante, madame, case-se aqui e dê-se por satisfeita. Se for uma aristocrata, levante o dinheiro que puder e procure o duque e arranje um novo marido com um título.
Jeanette considerou o conselho impertinente, mas não demonstrou. Em vez disso, perguntou:
- Quanto conseguiríamos com esta casa?
- Vou pesquisar, madame – disse Belas.
Ele já sabia resposta, e sabia que Jeanette iria detestá-la, porque uma casa numa cidade ocupada pelo inimigo conseguiria apenas uma fração do seu valor normal. Por isso, aquele não era o momento de dar aquela notícia a Jeanette. O advogado achou que era melhor esperar até que ela ficasse desesperada de verdade, e então ele poderia comprar a casa e suas fazendas arruinadas por uma ninharia.
- Nas tuas terras existe uma ponte sobre o rio? – perguntou ele, puxando o pergaminho para perto dele.
- Esqueça a petição – disse Jeanette.
- Eu vou pensar no seu conselho, Belas.
- A senhora não irá se arrepender – disse ele, animado.
Ela estava perdida, pensou ele, perdida e derrotada. Ele iria tomar a casa e as fazendas dela, o duque reivindicaria o direito sobre as terras do marido dela, e ela ficaria sem coisa alguma. O que era o que ela merecia, por ser uma criatura teimosa e orgulhosa que subira muito acima de seu nível adequado.
- Eu estou sempre ao seu serviço – disse Belas, com humildade. Da adversidade, pensou ele, sempre era possível tirar proveito, e Jeanette estava madura, no ponto de ser arrancada. Coloque um gato para vigiar as ovelhas, e os lobos comerão à vontade.
Jeanette não sabia o que fazer. Era contrária à venda da casa, porque temia que o imóvel conseguisse um preço baixo, mas também não sabia de que outra maneira poderia levantar dinheiro. Será que o duque Charles iria recebê-la? Ele nunca mostrara sinal algum de que o faria, desde que se opusera ao seu casamento com o sobrinho dele, mas talvez tivesse ficado mais tolerante de lá para cá? Talvez ela a protegesse? Ela decidiu que iria rezar pedindo uma orientação para a deusa Bastesh; por isso, enrolou um xale nos ombros, atravessou o pátio, ignorando os soldados que tinham acabado de voltar, e entrou na igreja da Deusa. Lá, havia uma imagem de uma bela mulher, lamentavelmente sem seu colar dourado, que fora arrancado pelos thaisenses, e Jeanette rezava com freqüência para a imagem da deusa, que ela acreditava ter um cuidado especial para com todas as mulheres em dificuldades.
A princípio, pensara que a igreja fracamente iluminada estivesse vazia. Então, viu um arco apoiado num pilar e um arqueiro ajoelhado junto ao altar. Era o homem bonito, aquele que usava os cabelos em um longo rabo-de-cavalo preso com corda de arco. Aquilo, achava ela, era um irritante sinal de vaidade. A maioria dos thaisenses usava os cabelos cortados, mas alguns deixavam que eles ficassem extravagantemente compridos, e eram eles que mais aparentavam uma confiança exagerada. Ela queria que ele saísse da igreja; depois, ficou intrigada com o arco abandonado que pertencia a ele, e por isso pegou-o e ficou impressionada com o peso da arma. A corda pendia solta e ela ficou imaginando que força seria necessária para curvar o arco e prender o laço livre da corda na ponta vazia. Ela pressionou uma das pontas do arco contra o chão de pedra, tentando curvá-lo, e naquele exato momento uma flecha correu pelas pedras do chão para alojar-se contra um dos pés de Jeanette.
- Se a senhora puder colocar a corda no arco – disse Argos, ainda de joelhos junto ao altar – poderá atirar uma vez, de graça.
Jeanette era orgulhosa demais para ser vista fracassando e estava irritada demais para não tentar, embora tentasse disfarçar o esforço que mal curvou a haste preta de teixo. Ela deu um pontapé na flecha.
- Meu marido foi morto por uma dessas flechas – disse ela, com amargor.
- Muitas vezes eu me pergunto – disse Argos – por que vocês, de Batalha, ou os carlinianos, não aprendem a atirá-las. Comece a ensinar a seu filho aos sete ou oito anos de idade, madame, e em dez anos ele será letal, pronto para sair de Rookgaard e enfrentar o continente.
- Ele vai lutar como um cavaleiro, como o pai.
Argos soltou uma gargalhada.
- Nós matamos cavaleiros. Ainda não fizeram uma armadura forte o bastante para resistir a uma flecha thaisense.
Jeanette estremeceu.
- Para que você está rezando, thaisense? – disse ela. – Pedindo perdão?
Argos sorriu.
- Eu estou dando graças, madame, pelo fato de termos cavalgado seis dias em território inimigo e não termos perdido um só homem.
Ele se levantou de sua posição ajoelhada e apontou para uma bela caixa de prata que estava sobre o altar. Era um relicário e tinha uma pequena janela de cristal emoldurada com gotas de vidro colorido. Argos havia olhado pela janela e visto nada mais do que uma pequena massa informe, preta, mais ou menos do tamanho de um polegar de um homem.
- O que é aquilo? – perguntou ele.
- A linda de Bastesh – disse Jeanette, desafiadora. – Foi roubada quando vocês chegaram à nossa cidade, mas Bastesh foi boa e o ladrão morreu no dia seguinte e a relíquia foi recuperada.
- Bastesh é boa, mesmo – disse Argos secamente. – E o que ela faz de tão importante para Northport?
- Ela baniu os orcs e os trolls de nossas propriedades agrícolas. Eles ainda vivem nas áreas selvagens, mas uma oração para Bastesh os espanta.
- Orcs e trolls? – perguntou Argos.
- Sim, são criaturas – disse ela.
- Eu sei que são criaturas – respondeu Argos. – Já enfrentei muitos deles.
- Eles tem o espírito maligno, a alma. Certa vez, eles assombraram das ilhas geladas até a cidade dos elfos, toda essa área, e eu rezo todos os dias para Bastesh, para que ele acabe com os Cavaleiros do Diabo como expulsou os orcs. Você sabe o que os Cavaleiros do Diabo são?
- Somos nós – disse Argos, orgulhoso.
Ela fez uma careta diante do tom de voz dele.
- Os Cavaleiros do Diabo – disse ela, com frieza – são os mortos que não têm alma. Os mortos que foram tão maus em vida, que Zathroth gosta tanto deles que não os castiga no inferno, e por isso dá a eles seus cavalos e os solta sobre os vivos. – Ela ergueu o arco preto dele e apontou para a placa de prata presa no centro dele. – Você até tem o retrato de um diabo no seu arco.
- Este é Ferumbras – disse Argos.
- É um diabo – insistiu ela, e jogou o arco contra ele. Argos o agarrou e, por ser jovem demais para resistir a se exibir, colocou a corda nele, como se fosse um ato normal. Fez com que aquilo não exigisse esforço algum.
- A senhora reza para Bastesh – disse Argos – e eu, para Crunor. Vamos ver qual é o mais forte.
- Crunor?
- Sim – respondeu orgulhoso.
- Você reza para um deus grande? Acha que ele te escuta? – perguntou Jeanette, intrigada.
- O tempo todo – disse Argos, tocando a pata de lobo dessecada que estava pendurada em seu pescoço. Ele não contou mais nada a Jeanette sobre o deus, que tinha sido o favorito de seu pai e de seu tio, que, em seus melhores momentos, ria da história. Crunor domesticara um lobo com sua mágica. O animal tinha salvado uma criança de outro lobo, e depois fora martirizado por Crunor, que, influenciado pelas idéias da caótica Fafnar, pensara que o lobo tinha comido a criança quando, na verdade, ela a havia escondido embaixo do berço. “Reze pelo bendito Crunor, porque o corpo do bom lobo foi magicamente abençoado pelo Deus”. Seu tio disse, e Argos adotara o deus. Às vezes, ele se perguntava se o deus escutava suas preces, embora os uivos do bom lobo chamassem a atenção de deus em algum lugar dos mundos dos mortos, e poucos deviam ter partes do lobo como amuleto, e talvez isso significasse que ele recebia uma proteção especial.
Jeanette quis saber mais sobre o abençoado lobo de Crunor, mas não queria estimular uma intimidade com qualquer um dos homens de Farz, e por isso esqueceu a curiosidade e voltou a fazer com que sua voz expressasse frieza.
- Eu estava querendo falar com você – disse ela – para dizer-lhe que seus homens e as mulheres deles não devem usar o pátio como uma latrina. Eu os vejo da janela. É nojento! Talvez vocês se comportem dessa maneira em Thais, mas isso aqui é Carlin. Vocês podem usar o rio.
Argos sacudiu a cabeça, mas não disse nada. Em vez disso, foi para a extremidade oeste da igreja, que estava sombriamente decorada com uma pintura do juízo final. Os corretos desapareciam vigas adentro, enquanto os pecadores condenados despencavam num inferno de fogo, animados por anjos e santos. Urgith sorria, no canto inferior direito da pintura. Argos parou na frente do deus dos mortos.
- Já percebeu – disse ele – que as mulheres mais bonitas estão sempre caindo para o inferno e as feias estão subindo aos céus?
Jeanette quase sorriu, porque muitas vezes ficara pensando naquela mesma pergunta, mas mordeu a língua e não disse coisa alguma enquanto Argos voltou até um quadro de Bastesh caminhando num mar que era cinza e de cristas brancas como o oceano. Um cardume erguia a cabeça acima da água para observar a beleza da deusa.
- O que a senhora tem que entender, madame – disse Argos erguendo os olhos para os peixes curiosos –, é que nossos homens não gostam de ser mal recebidos. A senhora não deixa nem mesmo que eles usem a cozinha. Por quê? Ela é bem grande, e eles teriam prazer em ter um lugar para secar as botas depois da cavalgada de uma noite chuvosa.
- Por que eu deveria ter vocês, thaisenses, na minha cozinha? Para que também possam usá-la como latrina?
Argos voltou-se e olhou para ela.
- A senhora não tem respeito por nós, madame, e por que deveríamos ter respeito pela sua casa?
- Respeito! – Ela zombou ao dizer a palavra. – Como posso respeitá-los? Tudo o que é valioso para mim foi roubado. Roubado por vocês!
- Por Sir Simon Skeat – disse Argos.
- Vocês ou Sir Simon – perguntou Jeanette –, qual é a diferença?
Argos apanhou a flecha e colocou-a na sacola.
- A diferença, madame, é que de vez em quando eu falo com os deuses, enquanto Sir Simon pensa que é um. Vou pedir aos rapazes que usem o rio, mas duvido que eles queiram agradar muito à senhora.
Ele sorriu para ela e foi embora.
Bom, divirtam-se.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)