Postado originalmente por
Locke Cole
Cara, não vou mentir: a situação salarial dos jornalistas, principalmente no setor privado, é muito ruim.
O piso varia de estado pra estado, mas fica em torno de 1200 reais. Se não bastasse ser essa mixaria, você vai disputar vaga com estagiários, amadores e profissionais de outras áreas (especialmente publicidade e relações públicas) que aceitam salários ainda menores.
São comuns redações com um jornalista e cinco, seis estagiários. Já trabalhei em um dessas.
Para piorar, montar um negócio na área de comunicação é arriscadíssimo. A internet tornou o setor uma incógnita. Se por um lado autores como Ricardo Noblat dizem que o jornal impresso vai desaparecer, por outro a internet ainda está longe de ter o rendimento publicitário que os periódicos tradicionais têm.
Consigo ver horizonte em três áreas:
1 - Trabalhar numa grande empresa. É o mais almejado dos desejos dos recém-formados. Mas não basta ser talentoso, tem que ter QI e correr atrás. Portanto, puxe saco dos professores, mande matérias voluntariamente e se mora numa cidade pequena ou média, pense seriamente em ir para uma metrópole, onde estão os melhores empregos, disputados a tapas pelos jornalistas.
2 - Concurso público. Assessores de comunicação são bem pagos. É claro que as seleções são concorridíssimas, e você vai disputar vagas com o pessoal de RP e PP, tendo que estudar as três principais áreas da Comunicação Social. O bom é que esses cargos existem por todo o país, então dá para fazer concurso em várias cidades diferentes.
3 - Academia. É caminho que acho que vou tomar. Se você curte pesquisar e acha que daria um bom professor, pode disputar bolsas de pesquisa, pós-graduações, mestrados etc e quem sabe se tornar mestre de uma universidade. Surpreendentemente não é um caminho tão concorrido quanto os outros, tanto que consegui emplacar um projeto e ganhar uma bolsa logo no quinto período do curso (estava disputando com gente do curso inteiro, inclusive projetos de mestres e doutores).
Qualquer que seja o caminho que você vai tomar, pense seriamente num plano B! Mais da metade dos formados não trabalha na área, e entre esses existe muita gente talentosa que acabou encontrando outra área prazerosa e que dá bons dividendos. É por isso que provavelmente cursarei Economia assim que pegar meu primeiro canudo.