Citação:
Capítulo 1
O telefonema
Fazia uma noite fria e calma no lúgubre setor residencial da cidadezinha de Delograd. Kalindir, um garoto de 16 anos de vistosos cabelos negros assentados e refulgentes olhos castanhos estava deitado em sua cama, descansando após uma longa rotina escolar. Sua pele era pálida; há muito não tomava um banho de sol e por circunstâncias que não sabia, talvez por nunca ter sido bom de garfo, pensava ele, sempre fora relativamente alto e magro, apesar de se mostrar alguém muito saudável e de bom porte físico. Em meio a calmaria que reinava, pensava nas dificuldades de sua vida e no entediante dia seguinte que provavelmente teria de enfrentar na escola, enquanto contemplava ao longe, as cintilantes estrelas que despontavam no breu da noite. Sua vida, pensava ele, não era uma das melhores; era um sujeito recatado, de poucas palavras e nenhum amigo, que levava uma vida rotineira ao lado de seu pai. Era uma dessas coisas insondáveis da vida, cujas quais pareciam um tanto incomodas, mas que para ele era algo melhor do que nada. Sempre preferiu um bom descanso à um dia agitado e cansativo. A mãe, por circunstâncias misteriosas, morreu após o parto e portanto havia sido criado inteiramente pelo pai durante seus 16 anos de vida. O que mais atormentava o jovem eram as constantes avaliações escolares que lhe punham em estado de total preocupação. “Sempre evitar preocupações”: essa era uma política que ele sempre adotava, conquanto fosse totalmente falha ao se deparar com o acúmulo abissal de matéria e constantes tarefas de casa que aumentavam estupidamente a cada dia. Hoje, refletiu ele, havia sido um dia particularmente preocupante, pois as avaliações escolares já haviam sido marcadas e elas costumavam ter o terrível dom de deixar qualquer cidadão com uma profunda dor de cabeça, após as incontáveis horas de raciocínio e pensamento lógico. Em sua mente, as preocupações assomavam em uma velocidade espantosa: só conseguia pensar na escola pois sua vida nunca fora algo que ele chamaria de uma grande aventura. Por fim, decidiu por os problemas de lado por um tempo, depois de várias horas em claro e com considerável esforço, tentou ter uma boa noite de sono. Quando finalmente havia relaxado e estava pronto para dormir, o telefone de sua cabeceira tocou.
O garoto, em seu íntimo, perguntou-se quem poderia estar ligado àquela hora da noite, interrompendo os raros momentos de descanso que tinha. Esticou a mão para o telefone e, resmungando consigo, lamuriou-se dos constantes e inúteis telefonemas que tinha que receber a todo instante. Provavelmente era alguém afim de estabelecer negócios pois seu pai, Hernandez, era um grande empresário que constantemente recebia ligações e propostas de viagens ao exterior. Tirou lentamente o telefone do gancho, colocou-o na orelha, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma voz grave e alta soou ao seu ouvido:
- Kalindir, encontre-me amanhã na antiga construção abandonada que fica em frente a sua casa. Temos muito o que conversar.
A ligação havia sido finalizada. A voz anônima soou de um jeito frio e inexpressivo que havia lhe dado um medo intenso. Trotes geralmente eram feitos para caçoar dos outros e não para dar recados estranhos. Suspirou pesadamente, colocou o telefone no gancho e ajustou o despertador para que lhe acordasse cedo, praguejou contra o sujeito infeliz que havia interrompido sua quietude e, depois de algo que lhe pareceu uma eternidade, adormeceu profundamente.
Kalindir acordara, depois de algo que ele julgou como segundos de sono. Não em sua cama como de costume, mas em um grande salão circular de mármore branco e iluminado por vistosos lustres vítreos, com um belo teto de estilo arcaico. Estava deitado no mármore duro e frio e levantou-se lentamente. Sentia-se vislumbrado ao ver um salão tão belo, mas em seu âmago, sentia-se temeroso por estar em um lugar que jamais vira. Era algo estranho mas o garoto sabia que estava em um sonho, por mais real que fosse tudo o que vislumbrava. Subitamente sentiu um calafrio que subiu de seus pés até os últimos fios de seus cabelos. Ele não estava só.
Essa é só a ponta do iceberg, achei que redigi bem mas, lendo e relendo, vivo em um constante aprendizado que me faz mudar as coisas. O nome do capítulo por exemplo, há grandes chances de ser alterado ;) .