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As duas últimas desastrosas atuações do Brasil nesta Copa do Mundo fez com que a atual geração da Seleção somasse recordes individuais e coletivos. Neste sábado, por exemplo, com a derrota por 3 a 0 para a Holanda, na disputa pelo terceiro lugar, em Brasília, Júlio César passou a ser o arqueiro que sofreu mais gols em Mundiais. Depois de levar quatro em 2010, o goleiro foi vazado mais 14 vezes nesta edição. Com 18, roubou o ‘recorde’ de Taffarel, que viu a rede balançar em 15 ocasiões ao longo de três participações (90, 94 e 98).
“Tem jogadores que entram para história pelo lado bom, outros pelo lado ruim. Entro do lado ruim, mas consciente que fiz de tudo para estar aqui e disputar a Copa do Mundo em casa. É triste por tudo, como terminou, particularmente para mim, porque para um goleiro tomar 14 gols é complicado. Mas tenho minha consciência tranquila, vou dormir tranquilo, sei que fiz o máximo para estar aqui. Infelizmente, ocorreu”, descreveu Júlio César ao Sportv.
Com mais 14 gols nesta edição, Júlio César passa a ser o goleiro mais vazado da Seleção em Copas
Mesmo com a consciência tranquila pela Copa que fez, o goleiro brasileiro sabia que poderia dar a volta por cima em 2014 depois de carregar uma falham que eliminou a Seleção nas quartas de final da edição da África do Sul, por quatro anos. Desta forma, Júlio César garante que o sentimento neste momento é muito parecido com o último Mundial, pois, se não houve falha, a queda veio depois de uma goleada história por 7 a 1.
“O sentimento é o mesmo (de 2010), porque provavelmente foi minha última copa. Tenho 35 anos e tenho que ser honesto: fica difícil disputar a copa de 2018, até mesmo pela motivação”, admitiu o goleiro da Seleção, que já nesta Copa chegou muito contestado depois de estar atuando pelo Toronto FC, da liga norte-americana de futebol, e não deve mais aparecer entre na lista de convocados.
Ao tentar explicar o que aconteceu nos últimos dois jogos, quando o time de Luiz Felipe Scolari sofreu dez gols, Júlio César preferiu poupar as palavras, evitando crucificar algum jogador do sistema defensivo. O goleiro optou por pensar no futuro e mandou um recado aos jogadores mais novos da Seleção: o momento é de assimilar os erros e já começar a pensar na preparação para a Copa de 2018, na Rússia.
“É complicado, qualquer coisa que eu falar aqui vai ser complicado. Não é o momento de analisar o que deu de errado. Os jogadores têm que esquecer um pouco o que aconteceu neste momento, correr para abraças as famílias, e claro, sem nenhuma demagogia, extrair as coisas positivas e negativas, colocar em uma balançar, e pensar em convocações futuras. Tem amistosos, Copa América, o que é importante para a montagem de uma equipe para 2018”, completou o arqueiro da Seleção.