[...] -Ah, claro. Este cheiro. Um humano em minhas terras. Um homem, para ser mais exata. Diga-me, aventureiro, quem és tu, e o que procura por estas terras amaldiçoadas?
A princípio, me assustei com isso. Aparentemente jovem, porém com cabelos brancos e um olhar vazio. Não se parecia nem um pouco com a linda ruiva que guardava a entrada de Carlin, pelo menos não nesta vida.
-Olá -eu disse- Pode me dizer exatamente que lugar é este?
-Ah, claro. Este lugar. Costumava chamar aqui de 'lar', quando eu era mais nova, e tão linda quanto a guarda que tu viu em Carlin. Sim. Ela mesmo, a jovem de cabelos ruivos.
Não era possível, a história que o pescador havia me contado parecia ser real. Eu precisava fazer alguma coisa...
-Ah, claro. O pescador. Interessante ele ainda vagar por estas terras, mesmo depois do que aconteceu.
-Tudo bem, aparentemente você pode ler meus pensamentos. Quero uma explicação sobre quem é você, o que ou o que foi este lugar.
-Ah, claro. Explicações. Só não fique pensando que possuo poderes mágicos, não hoje em dia. Eu apenas posso ler o seu medo.
-Medo, Quem tu pensa que é para falar algo deste tipo? Sou um conhecido guerreiro, luto para levar a paz ao povo de minha terra, já enfrentei maiores desafios, bem maiores que uma suposta fantasma.
-Ah, claro. Um guerreiro. Pois bem, humano destemido, quer saber realmente o que aconteceu?
"Algum tempo atras, na época da colonização de Carlin, éramos um povo próspero e feliz. Tínhamos nossa cultura, nossas tradições. Porém, com a vinda da nova rainha, tudo mudou. Invadiram nossa terra, alegando que aqui havia uma grande fonte de poder antigo. Nada podíamos fazer. Minhas irmãs foram obrigadas a trabalhar para a rainha, atuando em toda a cidade...
-Um momento, suas 'irmãs'?
-Ah, claro, jovem explorador. Eu já fui humana um dia, e com cabelos ruivos tão lindos quanto os da jovem que você viu.
-Mas então, como veio parar aqui? E o que aconteceu contigo?
-Embora com a maioria da população assustada e dominada, eu não poderia ficar sem fazer nada. Por ser a mais velha entre as irmãs, recebi uma espécie de tradição a parte, em que eu seria uma das guardiãs do antigo poder sobrenatural, escondido até então nestas terras. Diferentemente da vocação natural da vila, sempre gostei mais da magia, de controlar os elementos, salvar vidas, e as vezes, matar qualquer um com poucas palavras, invocar antigos guerreiros e tranformar corpos para batalharem ao meu lado...
-Mas você tinha o poder em mãos, como perdeu esta batalha?
-Infelizmente o poder que o inimigo havia era tremendo. Nem mesmo os anciões, que dominavam tanto a arte do combate corpo-a-corpo, quanto as magias antigas, sobreviveram. E assim, a rainha ordenou que matassem todos os homens da vila. Isso só fez com que minha raiva chegasse ao limite. Juntamente com mais quatro guerreiras, tentei livrar meu povo desta maldição. Porém, foi em vão, e acabamos mortas. Uma vez que morremos em nossas terras, nossas almas ficam presas aqui para todo o sempre...Mas nem tudo está perdido, simplesmente volte com suas explorações, e algum dia verá nosso retorno, mesmo que isso custe uma aliança com os Sete Proibidos...