Amazônia
Este documentário foi escrito em tempo real, de forma onde arquivarei todos os anos em que escrevi tal parte do diário.
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Amazônia.
Ato I, Subterrânio de Venore. Ano: 3061
- VENDO DECORAÇÕES DE AMAZONAS!! VENDO DECORAÇÕES DE AMAZONAS!! – Gritava o comerciante desespererado.
- Quando custa amigo?
- 60 gp cada, senhô.
- Mas é muito caro!
- Mas vem das Amazonas, elas são umas mulher arretada de se matar, senhô.
- Fica para próxima, obrigado. – Disse eu pensativo.
Esse jovem menino que veio de longe para a cidade grande, é um novato, que caça as guerreiras. Minha conclusão depois de anos de pesquisa, é que os novatos de Main Land como ele tem preferência em caçar Amazonas antes mesmo do que caçar largatos, trolls, ou ogros. Elas são conhecidas por terem muito dinheiro saqueado, e por serem um muito agressivas. Mas pense comigo, da onde vem tanto dionheiro assim, do nada? É o que eu pesquisei por muito tempo e registrei aqui, eu e uma repórter Amazona. Começamos nossa jornada pelo coração delas, no pântano de Venore, situado ao leste – norte (é isso Sharah?),
(sim!).
Bom, é sim. Como elas vivem em pequenas barracas separadas e por isso são muito caçadas, foram para o subterrânio em busca de suprimentos e moradia. Na esperança de encontrar nas profundezas sua grande rainha Witch, elas acharam algo muito maior, além de suprimentos necessários para viver. Um tesouro provavelmente deixado há muito tempo por alguém muito importante na época, foi achado no meio das trincheiras cavadas, e lá, havia muitas preciosidades e muito, muito ouro.
Rapidamente 13 valkírias foram convocadas para fazer uma fortaleza onde nenhum humano poderia romper e pegar tudo, apenas elas. E assim, com o ferro que acharam, e o couro de alguns vários ursos, fizeram os paredões.
Enquanto as valkírias faziam as muralhas, Amazonas de vários lugares migravam para Venore em busca de paz naquele subsolo, fizeram tavernas para comerorar, barracas, arsenais de armas suprimentos, e uma sala de contemplação à Deusa Witch
(Brad, não é Wicth, é White).
Ok, desculpe Sharah, White. Voltando ao assunto, aquele tesouro não era de algum humano ou herói, nem monstro. Aquele tesouro era de um Faraó – múmia, mais conhecido como... Como...
(Ashmunrah, burrinho!) Ashmunrah. Ele, furioso com o furto, invocou dentro do templo de adoração 3 múmias e 3 vampiros para resgatar o tal tesouro, cuja tentativa foi totalmente invalidada pelas bruxas e valkírias que, à partir daquele dia, diáriamente, lutariam pela fortuna. E até hoje vencem com folga. Esse foi um pequeno resumo da história do subterrânio de Venore, agora vou relatar junto com Sharah nossa conversação com elas.
Ato II, Se misturando. Ano: 3061
Como eu e minha namorada só pesquisamos os fatos por fora, e nunca botamos um pé se quer dentro da área delas durante a pesquisa, resolvemos ver o ponto de vista dessas grandes batalhadoras. Nosso ponto de vista
(Seu ponto de vista, grr), digo, meu ponto de vista antes de conversármos, é que elas só queriam guerrerear por prazer, e mais nada. E para comprovar isso, peguei minha mochila, minha garrafa acompanhando minhas ferramentas, Sharah pegou seu mapa e sua sacola (pois quase tudo que ela obtinha eu carregava na mochila) e fomos ao pântano.
No caminho, encontramos um menino jovem, bem jovem mesmo. Ele estava confiante, como eu na minha primeira batalha, mas ao mesmo tempo com medo. Deu à perceber que, ao me ver, o menino sentiu mais medo ainda.
- Moço, eu não tenho nada não, não tenho nada, só quero caçar Amazonas e Valkírias para ganhar dinheiro, olha, eu juro, eu até mostro minha armad..
- Acalme - se jovem, não queremos nada seu. Aliás, onde você quer ir é muito longe e muito perigoso pra você, não é melhor ir caçar trolls? - Falava Sharah com uma voz encantoradora, confortando o menino.
- O-ok dona, obrigado viu?
Quando o menino saiu correndo entre as árvores, gritei para ele:
- ESPERE!
O menino parou, surpreso, e olhou para mim atento.
- Sim?
- Acho que tenho alguns equipamentos para você, jovem mago, venha cá.
Na minha mochila tinha todos meus equipamentos de mago, e achei uma ótima hora para doá – los. Ele pegou e ficou sem palavras, apenas agradeceu:
- Deus abençoe vocês, muito obrigado!!
E assim ele saiu feliz correndo pelos matos.
- Nossa, que generoso, o que deu em você?
- Espere e verá – Disse eu, enigmático.
(Enigmatico?? Hahahaha)
E assim seguimos o caminho todo quietos, apenas o barulho do machete cortando as folhas úmidas e os pássaros voando em conjunto, assustados com alguns gritos vindos do norte ecoavam dentre as árvores centenárias do Pântano. Rapidamente chegamos, afoitos. Sharah tomou a frente com seu traje Amazona, e sua cor morena dos olhos castanhos se misturava entre as selvagens. Uma delas me viu, e começou a me atacar. Eu, sem equipamentos, levantei a mão e joguei minha mochila, tentando simbolizar que nunca atacaria ela. Mas não adiantou, Sharah interferiu:
- ABUDAH BUDAH PACÁ! – Disse minha esposa, desesperada.
A amazona olhou, olhou, olhou, e falou:
- ACABÁ DABA! BUTIBADE BADU TANOMORE ABACATE!
Olhei para Sharah, com receio:
- O que ela disse?
- Que elas estão na defensiva enquanto a gente .
- Cuidado, é uma cilada! Ela está mentindo! – Disse apreensivo.
- Calma, vamos ver. – ACABA TUDULA TUTA CATU?
- XIXAMARI HULA!!
A situação era tão engraçada, que quase me urinei para segurar a risada que vinha seca pela minha garganta. As amazonas cercaram eu e Sharah, olhando curiosas em busca de algo perdido entre nós, enquanto a outra negociava conosco. Todavia, fiquei estático diante à cena.
- Brad, elas querem nos mostrar algo, e falaram que estão em estado defensivo definivamente. – Ressaltava Sharah.
- Mas como elas falam tanta coisa em poucas palavras? Como é mais ou menos o vocabulário de vocês?
(Só para ressaltar, eu nasci e fui criada até o nivel 15 aqui em Venore, com as Valkírias, e logo depois fui para Carlin, procurar uma vida melhor para mim. Consegui aprender a língua tibiana, e me dei muito bem, e hoje tenho uma casa grande e ótimos itens. O engraçado, é que eu nunca pisei em Rookgaard.)
- É bem complicado, se você não aprender quando pequeno, nunca mais entenderá. Consiste na regras das 4 letras, dependendo do conjunto de 4 letras, 4 palalras diferentes formam a frase. Exemplo: AKDU formam a frase Sou uma guerreira amazona. Agora AKUD já formam um conjunto de frases completamente difretentes.
- Qual frase?
- Lança do meu time. – Disse ela rindo um pouco.
- Eu ainda vou aprender esse idioma, pode ter certeza, e serei o primeiro Amazon de Tibia.
- Ok, “Amazon”, hahahahahaha.
A guerreira selvagem esperava nossa conversa, logo Sharah se virou e fomos indo mais a fundo da área pantanosa. Enquanto caminhávamos, alguns guerreiros adentravam ilegalmente na caverna delas, enquanto elas mesmo tentavam conter os intrusos. A amazona pediu para que ignorássemos aquilo, conversando com Sharah. Passamos pela sala de tesouros, e fomos para a taverna. Quando desci, 6 valkírias produziam cerveja em barris, misturando os ingredientes. A amazona nos convidou a sentar, e quando fui, uma lança bateu em meu joelho e caiu sob o chão.
- Aiiii!!!!
A amazona olhou preocupada para mim, e logo deu um sermão nas suas irmãs:
- AKADUBI SHITANALU LUBATANAKA DU!!!! OLINUNA. OLIN – U –N – A!
Minha esposa olhou para com cara de “nossa, não queria ser aquelas valkírias”, e logo voltou em seu estado normal.
Por muito tempo Sharah e a amazona ficaram conversando enquanto as valkírias trabalhavam, pora horas fiquei ouvindo frases como “ABADABABAA”, não entendendo absolutamente nada. Quando a noite caiu, as duas se levantaram, sem cumprimentaram, e assim fomos à superfície. Não conheci o arsenal, o templo amaldiçoado, e as cabanas. Mas eu pude reconhecer que, tudo deveria ser muito valioso para elas.
Quando estávamos voltando , um menino estava pegando dinheiro de uma guerreira. Abordei – o, e fiz uma simples pergunta:
- Oi. Posso te fazer uma pergunta?
- Pode. – Disse o garoto confuso.
- Se você soubesse que essas Amazonas querem paz e sossego, que não querem lutas contínuas contra pessoas comuns, você pararia de caçar aqui?
Ele pensou, e rapidamente respondeu:
- Acho que não, senhor, elas dão bastante dinheiro.
- Ok, obrigado.
E assim o garoto andou por alguns metros, até ser acertado por uma lança na garganta. Chegando perto da floresta, a Amazona aparentemente agradeçeu Sharah e a mim, com comprimentos “amazônicos”, que são ajoelhar – se diante de você e levantar rapidamente.
- O que ela falou durante a conversa?? – Disse eu afoito.
- Que elas estão tentando construir trincheiras até o subsolo de Venore, e começar uma vida nova lá, pois a cada noite a população delas abaixa, e se continuar assim, em menos de 2 anos, as Amazonas serão extintas. Basicamente ela contou tudo o que sabíamos, mas agora sabemos que elas são inofensivas. Menos mal.
- Nossa, que triste. O que podemos fazer para acabar com isso?
- Eu sinceramente não sei. Porém elas disseram que a instalação que elas irão construir servirá, todavia, para começar uma possível guerra contra os humanos em vantagem. Elas pegariam eles de surpresa, o que na minha opinião é bastante inteligente.
- Mas elas vão guerrear com o governo Venoriano? Isso é suicídio.
- Se fosse há algum tempo atrás, poderia confirmar sua hipótese. Porém, a guerra entre Thais e Venore para conseguir a posse da ilha de Cormaya, enfraqueceu ambos os lados, ficando mais fácil pra elas. – Decidida, respondeu Sharah.
- E qual seria nosso papel caso isso acontecesse?
- Eu voltaria as origens e lutaria por elas, já você decide, de que lado quer ficar.
O caminho que escolhi é óbvio.
Ato III, Preparaçãoes para uma possível guerra. Ano: 3070
9 anos se passaram, e infelizmente as amazonas tiveram uma péssima notícia. Venorianos invadiram carlin e destruiram a torre selvagem , situada ao norte, sendo assim demolida, dando lugar às pragas que se aproveitaram dos escombros para se erguer ali. A queda precoce da população delas fazia com que as mesmas investissem cada vez mais na base secreta no subsolo do centro de Venore. Com o deslocamento delas para o centro, a primeira base ficou vazia, dando suspeitas para os humanos, e aumentando as ambiçoes dos chefes de venore em questão ao tesouro e o arsenal, podendo assim causar uma guerra precoce onde os humanos, e não as guerreiras, começariam em vantagem.
A situação era tensa, o rei Venoriano já havia mandado suas tropas avançarem no pântano, de um Jeito onde não deixara suspeitas para elas. O armamento de cada soldado era um machado de 2 gomos, um de 1 gomo, e um escudo. Já arqueiros seriam 1 crossbow e 1 bow, contendo munições infernais, forjadas pelos escravos de Ciclopolis, lugar dominado por Venore em 3050. A segunda base estava praticamente pronta, algumas barracas montadas e um pequeno arsenal se formando eram fáceis de se enxergar com as 15 tochas bem colocadas entre o ambiente. Era mais ou menos do mesmo tamanho da primeira, mais um pouco mais aberto, sem muitas paredes. Sharah já estava com suas irmãs, enquanto eu fornecia informações as amazonas direto da base militar. Sim, eu tinha sido convocado para o exército venoriano.
Quando você coloca sua vida em risco, jovem, você não sente dor, ódio, agonia, felicidade, alegria, ou até medo. Seu corpo por dentro congela, fica frio, não sente nada. Apenas o calculismo e a inteligência predominam. E é o que eu estava sentindo naquele exato momento. Eu era o homem que decidiria a guerra, de uma vez ou outra. O que eu estava pensando aquela hora era: Ou eu quebraria todas as táticas dos humanos, ou me descobririam e as amazonas seriam extintas com uma fúria avassaladora. Mas eu pergunto à você, que está lendo... O que você faria se estivesse na minha pele?
Ato IV, Grandes potências, Grande guerra. Ano: 3071
A guerra armamentista de 3067 entre Venorianos e Amazônias já havia acabado, cada espada já estava afiada, cada lança já havia sido polida, e por uma bobeira, a guerra poderia explodir. Alguns importantes dados eu passei para Sharah, que repassou para seu povo naquele ínicio de noite de lua cheia, perfeita para reflexão. Peguei minha tocha e acendi um charuto, tendo a idéia que pra mim, foi perfeita e maluca ao mesmo tempo. A invasão de Carlin já havia enfurecido O rei Afonso XVI. A torre selvagem era ponto turístico, e as amazonas eram inofensivas e o melhor, forneciam armaduras em troca de comida. A ghost land invadida em 2090 por Venore também conta como motivo para tal fúria. Me levantei e desci a torre de observação bem devagar para não acordar ninguém, peguei meu cavalo estacionado junto aos outros milhares, e disse:
- Vamos mão de labareda, rumo à Carlin.
A viagem foi tranquilha, aquela noite relaxante acalmava até mesmo os baderneiros de tão linda. Cheguei rapidamente, estacionando o cavalo na entrada da cidadela, e assim entrando descaradamente...
- PARADO! DEITE – SE AO CHÃO, AGORA!
... Com o uniforme de Venore.
- Droga, esqueci desse detalhe. – Murmurei olhando para baixo.
- O QUE VOCÊ FAZ AQUI? VOCÊ SABE QUAL MINHA ORDEM PARA VENORIANOS INTRUSOS?
- Na verdade não, mas posso ch...
- O que você quer aqui? – Disse o homem com um tom mais abaixo, olhando para os lados, se aproximando de mim. Minha impressão foi que ele não queria atrair mais guardas para me matar.
- Olha, eu odeio Venore tanto quanto vocês. Eu presto serviço na equipe armada Venoriana para obter informações às amazonas, pois minha amada é descendente delas, que estão prestes a começar uma guerra.
- Como posso saber que você está falando a verdade? – Disse o guarda suando de nervosismo, literalmente.
- M- mi- minha mochila. Pegue minha mochila. Verás que não estou mentindo.
Assim me agaichei, e joguei a mochila nos pés dele com cuidado. Ele pegou e abriu, e achou o meu diário, ou melhor, este diário, sobre as amazonas. Ele leu a primeira página, e olhou para mim, com uma cara que para fugia totalmente do contexto guerra, e assim disse, naquela noite de lua cheia, a frase que mudou o rumo de tudo:
- Droga, se você fugiu da base, eles devem estar chegando. Argh, para nós já chega! Mande avisar ao superior de Venore, que Carlin acaba de declarar guerra à Venore e todos os seus aliados.
- Mas os aliados deles são fortes demais!
- Eles entrariam de um jeito ou de outro na guerra. Agora vá, dê este documentário para o rei ler, e depois vá para a base das amazonas, pois começaremos um ataque surpresa. Se elas tiverem com o armamento pronto para ser usado, mande atacar com força total. Assim que eu falar com o rei, vou viajar até Edron, e convocar os soldados de lá.
- Mas Edron foi escravizada por Venore.
- Não. Apenas tudo redor deles. Mas os soldados e o governo inteiro não, amigo. Mas só poderei fazer tudo isso com uma condição. Deixe o livro com.... – E uma flexada atravessou o peito dele, fazendo barulho oco.
- TRAIDOR! MATEM – NO!
E assim, 30 soldados venorianos armados corriam em minha direção. Fui cambaleando até o centro da cidade, com sorte, pois nenhuma flecha me acertara. Alguns guardas viram a movimentação e foram atrás dos instrusos. Uma batalha sangrenta acordou toda a população, mas ninguém teve coragem de sair para ver o que realmente estava acontecendo. Aproveitei uma brecha, e corri para o ponto seguro, apenas observando os guardas saíram de sua base cada vez mais.... Rapidamente, todos foram contidos e mortos pela tropa em prontidão. Apenas sobrou eu, dentro da zona de proteção.
- SAIA, COVARDE! – Gritou um guarda enfurecido, ao me olhar encoilhido ali.
- O GUARDA OESTE.. ELE VAI MORRER! EU JURO! PERGUNTE À ELE, EU SOU DO BEM!
Alguns guerreiros de Carlin se deslocaram rumo ao seu amigo ferido, enquanto alguns ainda aguardavam minha saída.
- Eu juro, estou falando a verda..
Os guardas voltaram do oeste, me interrompendo:
- Ele é inocente. ELE QUER FALAR COM VOCÊ, RÁPIDO! – Gritou um guarda para mim.
E assim fui, escoltado, e cheguei na entrada oeste. O homem estava deitado, pisoteado e com o resto desconfigurado. Apenas deu tempo dele dizer:
- Ent-r-reg-u-e o l-liv-ro a-ao r-ei.
E assim morre o primeiro soldado da guerra. Nem eu e nem ninguém teve tempo para se consolar ou se arrumar, Venore já estaria atacando a base Amazônica e vindo para Carlin com reforços querendo minha cabeça e a do rei junto. Mantive a calma, e fui novamente escoltado até a base do rei de Carlin com o livro em mãos. O caminho demorou alguns segundos, mas cada passo o medo aumentava em 150%. Nunca na minha vida eu tive tanta certeza de que para mim e milhares de pessoas, Tibia iria acabar. Naquele momento da caminhada até o reino, eu estava pensando que, uma guerra mundial poderia começar pelos monstros supremos do triângulo, como sempre falaram desde 2012, quando o terceiro monstro do triângulo se libertou, ou em qualquer outra coisa, mas por amazonas meu caro?
Nunca, jamais. A ambição pelo tesouro era tanta, que os 780 soldados de Thais que estavam guardando o zelo do segundo Morgaroth de Thais, saíram de lá o foram fazer uma reunião com o rei Tibianus XII, que já fora avisado por Venore que eles precisavam de Thais na guerra. Ambas as cidades foram as responsáveis pela extinção de Zao, tudo por causa da procura da folha – couro, descoberta em 2055, um poderoso tipo de couro que era impenetrável de uma forma que até mesmo torturadores negros não poderiam rasgar. As riquezas retiradas de lá foram divididas entre as duas gananciosas potências, mas também os prejuízos foram altos. Estima – se que a Guerra de Zao arrebatou 10% do mapa de Tibia e 23% da população dos humanos e 98% da população dos lizards. E naquele momento da atual guerra, a vida e morte das amazonas estavam em jogo. A extinção delas, o fim.
Ato Final, Um novo Tibia. Ano: 3071.
E eu estava lá, em Carlin, em uma madrugada completamente indiferente da madrugada passada. A única coisa que mudou, foi que alguém abriu a boca. Edron já havia sido avisada há alguns minutos, e eu estava sendo transportado, escoltado por 120 soldados até venore, fazendo rota pelos Ghosts e Crypts Chambles. Rapidamente estava há alguns metros perto da segunda base amazônica. Pedi para que quebrassem a parede, fazendo um túnel até lá. O caminho foi rápido, mas o esforço físico que todos fizeram foi considerável. Assim que a luz das tochas dos soldados se chocaram com a luz das tochas amazônicas, foi um alívio. Aquela sensação de trabalho feito é inexplicável. Logo, uma valkíria me viu, quebrou o resto da parede com um machado de dois gumes, e convidou todos à entrar. Realmente, 120 pessoas em um túnel pequeno, entrando para a base das amazonas, foi um tanto que constrangedor.
Vi Sharah reunindo pequenas filas mais à frente, por ordem de altura, pois cada fila tinha uma estatura padrão: ou alta, ou baixa, ou na média. Ela percebeu minha visita, e foi correndo me abraçar.
- Graças a deus, você está vivo.
- Vocês estão bem? – Enquanto conversávamos, ao nosso fundo as valkírias expulsavam os guerreiros educadamente para fora da base.
- Eles chegaram, e estão destruindo a primeira base. Precisamos de ajuda... Ali, aqueles soldados podem nos ajudar? – Perguntou ela olhando fixamente para a cena.
- Mas é claro. Mas primeiro mande as valkírias pararem. – Olhei para trás, ainda abraçando Sharah.
- ATPOLUCA MENT! TANAJURA JANATURA!
As “soldadas” prateadas murmuram, e soltaram os soldados. Sharah olhou para todos, e disse em tom de chefe:
- Eles estão todos reunidos na base um. Talvez se vocês pegaram nossa arma de alta destruição, a great fireball bomb, conseguirão deter todos de uma vez só.
O chefe dos soldados deu um passo a frente, e apenas confirmou:
- Positivo.
Sharah se virou para as filas, murmurando:
- CUJUHCHA MANTUHA!
E todas foram correndo em fila, inclusive Sharah, convidando nós a corrermos também:
- Venham!
Nos deslocamos rapidamente para a entrada secreta da base 1, tomando à frente Sharah, com a tal da great fireball bomb. Era uma esfera vermelha, quase preta. Aparentemente muito potente.
- Alguém com uma crossbow, venha cá! – Falava Sharah com cautela.
Um arqueiro logo estava indo em direção à ela, pedindo liçença à todas as fileiras que ele esbarrava.
- Equipe ela, e jogue com a maior força possível para cima. A intenção é bater no teto, derrubando e soterrando todos os seres vivos e coisas de lá. Não se preocupe, nenhuma amazona está lá. Temos milhares dessas esferas, se precisar. – Sharah olhou um baú empoeirado ao lado dela. O caminho era estreito, desconfortável, e cheirava à musgo.
O arqueiro mirou para o teto, naquele buraco bem estreito na frente do corredor que dá passagem ao templo, e quando ele atirou, o estrondou ensurdecedor respondeu prontamente.
- ABAH ENRE!!!!!!!!!
Todas as amazonas se abaixaram, e eu pensei sinceramente que ia morrer soterrado naquele momento. Mas aquele teto, ah.. Eu não tinha percebido, mas era feita da folha – couro, totalmente roubadas das forças de Venore. Naquele mesmo momento percebi que elas usaram com perfeição todas as informações que passei, e que a inteligência dessas amazonas poderia ganhar guerra, acompanhando a força das tropas de Carlin e logo mais as de Edron.
- AJACI LUCAF.
- O –o que você disse? – Disse eu ainda com uma mistura de todos sentimentos possíveis – medo, felicidade, ódio, alegria, confusão.. Foi ali que eu percebi que não sentia mais medo da guerra, que aquilo era real, e poderíamos vencer.
- Disse à elas que a primeira base foi abaixo, mas ainda temos a segunda, que ainda ninguém descobriu.
As amazonas se levantavam calmamente, e os guerreiros cochichavam sem parar.
- Agora vamos abrir os buracos que dão no ponto seguro e no centro inteiro praticamente, aí convocaremos seus soldados para lançar as great fireball bomb e depois destrair o resto subindo pela esquerda e atacando uma chuva de adagas.
- Mas por quê você chamou todos para cá sendo que só precisava de um?
- Para ganhármos a confiança deles. Agora vamos. VAMOS! ASGH!
- ASGH! – As amazônias gritaram em conjunto.
Fomos correndo até a base. Chegamos rapidamente, nos acomodando em fileiras enquanto as amazonas estavam saindo pela esquerda com as adagas em mãos, prontas para destruir o resto do que sobrou da base 1. As valkírias arrumavam os últimos detalhes para o lançamento das bombas, enquanto por teimosia, todos os soldados sairam também para ajudar as amazonas. Sendo assim, as valkírias lançariam as bombas. Estava apenas observando tudo com cautela, sempre do lado ou perto de Sharah, que por sinal estava muito preocupada.
- Esssa guerra não é de Carlin, nem de Edron. Essa guerra é nossa das amazonas. Se fomos perder, perderemos apenas nós.
- Não se preocupe, eles diminui...
E um enorme estrondo, muito, mas muito maior que o anterior, abalou meus ouvidos e os de Sharah. A terra começou a tremer, armaduras caindo, valkírias correndo, fechando qualquer fresta, e um calor insuportável predominando o ambiente.
- AI MEUS DEUS BRAD, O QUE ACONTECEU???????
- EU NÃO.. SEI! – Disse desesperado.
Estava deitado no chão, de olhos fechados, tentando descobrir o que havia acontecido. Até me lembrar.
- MEU DEUS DO CÉU!! É A BOMBA SOLAR!!!!
Para vocês, jovens, que não sabem o que é bomba solar, vou explicar. Essa arma começou a ser produzida pelo rei Tibianus V em 2060. Ela é o plasma de 38 ghazbarans juntos, ou seja, a cada Ghazbaran morto, o seu plasma (sua mana, poder interior) era armezenada e depois despachada em uma cápsula. Essa cápsula foi terminada em 2099, e guardada, segundo o rei, para “ocasiões extremas”. E esse rei, provavelmente, queria exterminar de vez a raça amazônica, e também os venorianos, para obter as riquezas dos mesmos. O que estava acontecendo ali, neste exato momento, eram guerras pararelas, onde venore já havia perdido. Tudo ocorreu muito rápido, na mesma noite.
Sharah se acalmou um pouco, mas ainda estava muito nervosa, e passando mal.
- Eu estou queimando! Minhas irmãs... Também! Todas as amazonas foram para a superfície!
- Menos você. Agora se acalme, tudo vai dar certo, tudo vai dar certo.
Ao nosso redor, todas as valkírias se debatiam no chão, queimando até morrerem. Sharah e eu estávamos deitados juntos, lado a lado de mãos dadas, naquele calor absurdo. Até que tudo escureceu, e a partir dali, eu não me recordo mais de nada.
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Quando acordei, estava em uma cabana feita de destroços, e 5 soldados estavam deitados no chão, feridos. A cabana não era grande, cabiam menos de 10 pessoas dentro. Sharah ainda estava inconciente. Levantei rapidamente, e em um ato de despespero, gritei dentro da cabana:
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI??
Um soldado ferido olhou para mim, rindo, e disse:
- Venore, Carlin e Thais, não existem mais. Não somos mais soldados, somos sobreviventes. E essa amazona aí, é a úni.. COF! COF! ... ca.
Olhei triste para Sharah, e fiquei deitado, ao lado dela, como se estivéssemos dormindo em uma noite comum. Mas por um milagre, Sharah acordou assim que me ajeitei no chão.
- Brad....
- Está tudo bem, Sharah. Estamos vivos.
- Minhas irmãs...
- Elas.. Não existem mais.
- Mas o que aconteceu?
O soldado interferiu a nossa conversa, respondendo ela:
- Você não lembra? Vocês, amazonas, construíram ao redor de Thais e Venore uma armadilha mortal, que se for acionada, destruiria as cidades inteiras.
Ela riu, e perguntou:
- Mas quem acionou a armadilha? Então não foi a bomba solar?
- Não. E quem acionou, foi sua.. Sua irmã. Ela, acabou com a guerra. Toda Thais e Venore está devastada, não sobrou um vivo.
- Tudo foi tão...
- Rápido. É... – Interferi Sharah, abismado com a situação.
- Vamos descansar agora, amanha é um novo dia. – Disse o soldado, esperançoso.
E descansamos. No outro dia, percebi que eu e Sharah estávamos com queimaduras pelo corpo, mas nada tão preocupante. Assim que levantamos, percebi que aquele guerreiro havia morrido durante o sono. Ao sair, nos deparamos com uma cidade totalmente acabada, construições derrubadas árvores tombadas, e as que permaneciam em pé, estavam empoeiradas. Eu e Sharah andávamos pelos escombros sem falar nada, ela ia me levando até o ponto mais alto da cidade. Alguns pássaros ainda cantavam, e o silêncio do local também era encantador.
Chegando ao ponto mais alto, o pôr do sol refletia em um horizonte devastado, e ao mesmo tempo calmo. A calma, para as amazonas, é o paraíso. E aquele seria o momento certo par Sharah:
- Brad, você quer casar comigo?
Fiquei sem palavras por um tempo, apenas respirei um pouco, e disse:
- Sim.
E naquela cidade silenciosa, no ponto mais alto, eu virei um guerreiro amazon, e ela minha esposa amazona.
- A partir de agora, esta cidade se chamará Amazônia. – Dizia ela com sutileza, olhando para o horizonte. Vamos comer, e depois chamar algum ser vivo para nos ajudar.
- Vamos.
Uma cultura que sofria preconceitos e que era tão menosprezada, acabou vencendo a guerra. Quando escrevi minha primeira palavra neste diário, há anos e anos atrás, não imaginaria que isso acontecesse. Enfim, Amazônia agora é o centro de Tibia. E o povo amazônico é soberano por essas bandas. No meu leito de morte, entregarei isso para Sharah, e ela irá colocar no ponto mais alto da cidade onde nos casamos, este diário. Pedi para ela que mostrasse a todos, é a história da vida, morte e renascença do povo amazônico, e consequêntimente, de Tibia.
Brad, 2008 – 3084.