Uma história de Elite - Parte 2 – O Sobrevivente do Leviatã
O céu azul das Ilhas Laguna estava esplêndido naquela manhã, as ondas calmas, as montanhas no horizonte, o cantar dos pássaros, e até a visão aterrorizante de Kharos, tudo parecia perfeito para Zath Elfir. Dentro de poucas horas ele iria saborear uma garrafa de rum em Nargor, o esconderijo dos piratas. Não parecia fazer tanto tempo, mas a última vez que havia provado do rum da ilha foi quando partiu com a tripulação do navio do Capitão Morgan em busca de tesouros em solos thaianos, a 5 anos atrás.
Zath que acabara de acordar foi ao estibordo do navio, dali apreciava a costa da Baía da Liberdade, lembrava-se de historias de seu pai que três vezes por ano saqueava as plantações da cidade para produzir o famoso rum de Nargor, mas de repente Zath começou a sentir-se tonto, alguma coisa o abatia, suas vistas embaçaram então se ouviu um estrondo, como nunca ouvira antes, a base do navio tremeu e a tontura passou, e percebeu que a tripulação do navio entrara em pânico. Olhou em volta, não sabia qual era a razão de tanto alvoroço, voltou a observar o mar, e deparou-se com a besta na sua frente, já tinha ouvido histórias sobre piratas que lutaram contra ele e que nunca mais foram encontrados, na sua frente encontrava-se o Leviatã.
Uma mistura de medo e de bravura tomava conta de Zath, não sabia se lutava ou se escondia, então ouviu-se o grito do Capitão Morgan, o velho pirata parecia não ter medo da fera, ao contrário disso, havia um sorriso estampado em seu rosto, parecia que um sonho de infância tornava-se realidade, ordenou que armassem os canhões e que empunhassem seus sabres, uma última batalha, nesta guerra do marinheiro solitário.
A luta começou, da boca da besta veio uma grande bola de fogo, foi então que todos souberam que o fim estava próximo, o ataque acertou o navio em cheio, o mastro agora caía sobre cinco marujos. O capitão ainda não aparentava estar com medo, com seu sabre golpeou a cauda do mostro, que soltou um grito agonizante, a parte da tripulação que fora encarregada dos canhões agora disparava contra a besta, mal sabiam que aquilo apenas aumentava sua fúria e a vontade de acabar com todas estas vidas, Zath fez uma tentativa de ataque contra a besta, que o acertou com a cauda derrubando-o no chão e jogando seu sabre na água. Os canhões seguiam atirando contra a besta, que de repente recuou, e mergulhou no oceano. A tripulação achou que haviam derrotado a besta, mas Zath sabia que algo estava para acontecer, ficou parado, ao lado do que sobrou do mastro, olhando em volta, o mar voltou a ficar calmo, quando ouviu outro marujo apontar para a proa do navio e jogar-se ao mar, uma onda gigante vinha em direção ao navio. A tripulação entrou em pânico, de repente o capitão empunhou seu sabre e atacou a si mesmo, o sangue começou a jorrar de seu pescoço, seu sonho de lutar com a besta foi realizado, e não iria deixar que ela o matasse, que o levasse como premio para o fundo do abismo. Zath apavorado com a morte do capitão prendeu sua respiração, fechou seus olhos e pendeu para a morte diante do mastro.
Em Nargor pode-se ouvir o grito de vitória da besta, ela havia devastado outra tripulação por completo, pelo menos, foi isso que ela pensava.
Dois dias e duas noites depois, apareceu na costa da Baía da Liberdade um corpo sobre um pedaço de um mastro, um cortador de cana chamado Irvin encontrou o corpo ainda com vida e o levou a hospedaria do Lyonel, no centro da cidade, onde o visitante ficou desacordado por mais um dia aos cuidados de uma bela moça chamada Leluil. Então o hóspede acordou, numa tarde de uma tempestuosa quarta feira, ali estava Zath, o sobrevivente do Leviatã.