As Crônicas do Mundo Antigo - Cayman
Olá, todos ^^
Esta história é muito especial para mim, sabem.
Ela e o campeão das almas são as que eu mais trabalho.
Eu resolvi ir postando no modo normal mesmo, quando for terminando, vai colocando os capítulos aqui. Então, aproveitem, e não tenham pressa.
Ela baseia-se, inicialmente, no Ferumbras do Tibia, embora o Cayman não tenha muita coisa a ver com o mago do jogo. Ele tem ideais e muito mais do que poder e destruição em si, mas como tudo tem um pricipio, a idéia iniciou-se daí, então vale a pena agradecer: Obrigado Tibia!
Agora vai começar a história que mais repercutiu em todas as crônicas, que aconteceu háa muito tempo, e que vai mudar toda a história do mundo onde os meus personagens vive, levando à proibição da magia e tantas outras coisas. Como Cristo dividiu o tempo do nosso mundo, Cayman também zerou os relógios destes povos fictícios. Lembram-se do garoto ouvindo histórias do seu avô na cama sobre um homem que havia ficado amigo de um dragão e ganho a imortalidade para ficar do lado dele? também era este menino. Então, aproveitem a narrativa do personagem mais importante do meu mundo:
Cayman
O homem no topo da colina estava sentado com as mãos sobre as coxas, apreciando o cheiro da relva vindo com vapor do orvalho matutino. Suas pernas cruzadas e postura ereta davam ao seu corpo a semelhança de uma antiga figura cruniana – a posição de Lótus, como os povos guerreiros do Sul a chamavam. Ele esperava pacientemente observando as cores do céu ao nascer de Shion, formando um espetáculo o qual nunca cansava de assistir. Seus olhos azuis eram pacientes, e ele parecia contente ao ouvir a brisa que trazia o som das folhagens.
Suas narinas abriram-se expressivamente, e não fosse por isso, seria quase impossível notar o repentino aroma de açafrão atingindo o local. Ele levantou-se e assim pôde notar outro homem subindo a colina em sua direção. Pequenos traços de alegria mostraram-se nas duas faces, e dividiram um longo abraço quando se encontraram.
- Escolhestes um ótimo lugar de espera, Balgon. – Disse o recém chegado, admirando a paisagem. Sua voz suave articulava bem as palavras, e seus lábios eram bastante expressivos ao dar-lhes forma.
- É apenas uma questão de observar, Ketharus. – Disse, olhando em volta; sua voz calma e profunda refletindo certa sabedoria arcana.
Ambos vestiam roupas ricas e ostensivas, usando jóias preciosas em ricos adornos mostrando extraordinária riqueza e poder. Ketharus possuía longos cabelos loiros, e embora Balgon não aparentasse ser muito mais velho, seus cabelos, igualmente longos, eram brancos como os que a idade trás.
Com certa graça, Balgon olhou animado para Ketharus e começou a descer a colina em direção a um pequeno vilarejo não muito longe de onde estavam.
- Então é isso. – Disse Ketharus – Senti este dia aproximar-se desde o nascimento do garoto.
- Então somos dois, amigo. – Balgon respondeu com calma.
- Ainda assim, há um risco em nossa interferência.
- Suponho, então, que não fosse minha mensagem, não terias vindo. – Balgon pareceu levemente surpreso, mas continuava animado ao caminhar.
- Certamente não. – Respondeu Ketharus com segurança, mas uma aparente preocupação assombrava sua voz.
- Então vamos discutir isto. – Balgon parou abruptamente, deixando Ketharus, que anda avançara um pouco, surpreso tentando entender o que seguia.
- Como?
- Vamos discutir isto. – Disse resoluto. – Não posso lhe envolver em algo fora do seu interesse. Talvez o fato de recear um pouco as conseqüências deste dia – continuou intrigado – também me mova a tentar dar-lhe uma chance de impedir alguns acontecimentos capazes de marcá-lo.
Um breve silêncio envolveu o locar onde estavam. Em uma árvore próxima, algum pássaro cantava sua música matinal, e até mesmo o movimento das pessoas no recém desperto vilarejo já podia ser ouvido à distância.
- Esta discussão é irrelevante. – Ketharus ria do momento. – Vamos, sempre foste mais sábio do que eu. Se acreditas nisso, não há razão para não seguirmos em frente.
Balgon permaneceu em silêncio por um momento observando seu companheiro. Ele pensava no assunto, e demonstrava certa dúvida sobre o que falar.
- Não se subestime, amigo. Sempre busquei seus conselhos.
- Bom, agora não é tempo para isso.
- Talvez. Mas você mesmo disse: Quando esta criança nasceu, houve certa perturbação na ordem. Lembra-se da última vez que isso ocorreu? – Balgon esperou por um momento a resposta, mas a expressão de Ketharus fora suficiente. – Foi um caos! – Continuou enérgico. – Não havia nivelador para o poder do rapaz e ele fez muitas besteiras antes de ser parado.
Um momento de reflexão seguiu-se. Ambos pensavam nas escolhas envolvendo-os e os caminhos para os quais elas guiariam os dois.
- Acredito em você, Balgon. – Finalmente Ketharus expressou-se. – Devemos guiar o menino. Apresentar-lhe bons caminhos para seguir e mostrar-lhe como usar seu potencial em boas causas. Apenas... – Ele hesitou por um momento. – Não confio nele.
Balgon riu. Ele olhou em volta por alguns momentos, viu alguns animais começando suas rotinas por entre as árvores. Algumas pessoas já eram vistas movimentando-se próximo ao vilarejo. Pensava em como seriam recebidos. Certamente não eram uma imagem comum para aquelas pessoas: Camponeses à serviço de seus nobres senhores; lembrou-se de como o entristecia este sistema em que viviam, onde alguns nasciam para tudo, e outros, para nada.
- Não precisamos confiar nele, Ketharus. – Disse finalmente. – Somos feitos por nossas escolhas, não por destinação. Conosco, ele terá boas escolhas. Acredito nisto.
- Assim espero. – Ketharus respondeu pensativo. E voltou a caminhar em direção ao vilarejo com Balgom em seu encalço, feliz com a vista que tinha dali. – E você está parecendo um bobo.
Balgon riu um pouco novamente. Era sempre animado, não importava o tempo. Mas algumas coisas poderiam enfurecê-lo, e sua ira era sólida demais para dissipar-se com pouco. Ketharus era mais recluso, embora fosse bastante animado em sua solidão. Preferia aproveitar seus momentos sozinho, quando saia de seu refúgio, era porque algo exigia isso dele, enquanto Balgon sempre vivia em companhia de criaturas fabulosas e orgulhosas como ele.
Sua chegada no vilarejo foi como o previsto. Havia dois guardas a pé e um a cavalo na estrada principal usando a farda da guarda real de Havion, com suas cores em tons azuis céu fazendo um suave contraste com o prata de suas armaduras. O som metálico de seus movimentos pareciam deslocados junto ao barulho da movimentação em chão bruto de terra por onde as pessoas andavam, ansiosas observando a chegada de ambos. O guarda a cavalo aproximou-se e fez certa reverência com a cabeça.
- Bom dia, meus senhores. – Falou com respeito na voz, mas com certo ar altivo de cavaleiro. Eu sou Carlos, cavaleiro responsável pela guarda de Ni. Sintam-se bem vindos, e livres para contar com o que precisarem.
- Muito obrigado, meu rapaz. – Balgon parecia bastante animado, e olhava para Ketharus como se estivesse presenciando certo entretenimento incomum.
- Seus cavalos estão com seus servos, meu senhor? – falou o homem olhando para o Sul, de onde haviam vindo. – Não precisam descansar?
- Não trouxemos cavalos, meu jovem. – Respondeu Ketharus. – Viemos andando enquanto conversávamos.
Esta resposta pareceu realmente surpreender o jovem cavaleiro. Ele observava o horizonte intrigado, pensando na enorme distância para o mais próximo condado ao Sul, Grim, e não conseguia imaginar estes dois homens lá. Todavia sua preocupação foi afastada pelas palavras de Balgon, que o surpreenderam mais ainda.
- Estamos à procura dos Renyel. – Falou despreocupado. – Uma pequena família habitante deste condado. Esperamos sua ajuda para guiar-nos até eles.
Até mesmo Ketharus, preocupado como estava, pôde divertir-se com a feição do rapaz. Aparentemente os Renyel não eram uma família muito procurada no vilarejo e, menos ainda provável para atrair tais visitantes. Os murmúrios à sua volta aumentavam cada vez mais, e pessoas surgiam para ver os dois homens estranhos e muito ricos que acabaram de chegar, onde, aparentemente, visitas não eram freqüentes.
- Pensei que procuravam pelo Conde de Ni, o Barão de Luna. – falou o rapaz confuso.
- Tenho certeza, - Disse Balgon - tal conde deve ser alguém bastante interessante e peculiar para seu Rei ter-lhe cedido terras com tais nomes, mas preferimos adiar nossa visita a ele para um momento mais oportuno. Agora, caso não se importe, leve-nos aos Renyel.
Um momento de silêncio e um aceno de concordância foi emitido pelo rapaz. Ele desceu do cavalo e bradou para que um dos dois guardas cuidasse dele, o qual apressou-se desastrosamente, produzindo incômodos sons com sua armadura. Com um olhar incisivo para o outro guarda, trocou alguma mensagem que não deveria ser compreendida pelos visitantes, mas que eles puderam facilmente deduzir qual seria.
Poucos momentos depois, eles estavam aproximando-se do outro lado do vilarejo, onde já podiam ter uma bela visão do mar ao norte. Balgon parecia um menino fazendo um passeio com os pais em suas férias de verão, e Ketharus ainda permanecia um pouco tenso, mas já estava acostumando-se com a idéia.
Alguns curiosos os seguiam pelas ruas pensando que não estavam sendo notados, mas o som de seus murmúrios já estava acomodando-se nos ouvidos dos viajantes. Logo que estavam fora da pequena aglomeração de casas do vilarejo, eles viram a grande mansão do Conde ao Noroeste, cercada por uma grande cerca de ferro, ela acomodava-se na beira de um pequeno penhasco, aproveitando-se da paisagem para embelezar-se e dando aos moradores uma ótima vista do mar.
Logo a sua frente havia um pequeno conjunto de casas mais simples, e lá estava a casa que eles procuravam. Ambos sabiam que não precisavam do prestativo Carlos para chegarem ao local, mas também sabia que não seria fácil livrar-se dele. Esperavam sair dali antes mesmo do Conde chegar, pois, a essa hora, ele já deveria estar sendo informado de sua presença e preparando-se para encontra-los. Mas foi quando uma jovem senhora atendeu a porta poucos minutos depois do cavaleiro ter batido que tudo aconteceu.
Ela deixou escapulir um pequeno grito. Seu marido apareceu atrás dela no fim da sala a tempo de vê-la desmaiando, e sussurrou, não para os ouvidos do servo real, mas para os dois visitantes, algo bastante peculiar: “Eles descobriram”. Logo que o homem correu para acudir a esposa, o trote de cavalos foi ouvido a uma pequena distância precedendo a chegada do Conde de Ni juntamente com outros cinco homens armados a cavalo. Ele observou intrigado a cena e, após descer do cavalo e olhar para Carlos de forma curiosa, cumprimentou os dois homens graciosamente. Quando todos finalmente pararam para observar o casal que se recompunha, olhando assustados e ofegantes para os homens a sua frente, um pequeno garoto escondido atrás da porta pôs a cabeça para fora e perguntou:
- Porque vocês dois usam máscaras?
Ao que Balgon e Ketharus se entreolharam animados, mas apenas os dois entenderam a pergunta do menino.
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Comentem. ^^
Sem mais,
Euronymous.
:cool: :cool: :cool: