Postado originalmente por
Melgraon I
Bem, eu não vou precisar te falar que não deu pra imaginar o ambiente, e corrigir alguma coisa nesse sentido, certo? Imagino que você saiba o que fazer para arrumar isso. (Quase deu pra visualizar o ambiente do final, mas o deserto nem isto.)
Então vou dizer outras coisas (não me leve a mal, apenas não estou muito disposto a escrever sobre o assunto citado acima.):
Olha, ficou bom o capítulo em matéria de diversão. Como eu imagino que você esteja interessado em torná-lo ainda mais divertido, vou te dar algumas dicas sobre aproveitar situações para torná-las ainda mais inusitadas. - O que eu quero dizer com isso?
-Que, em primeiro lugar, o esquilo não tem jeito de esquilo. E você me diz: "Claro que não! Ele até usa paletó... Eu justamente queria fazer um esquilo que não parece... um esquilo. Até fumar o bicho fuma...”.
Ah, certo. Ok. Mas me diga uma coisa... Você está valorizando muito o inusitado na sua obra, certo? A loucura, o sem sentido. E o que é ainda mais sem sentido que um esquilo que usa paletó e fuma charutos?
Um esquilo que, mesmo usando paletó e fumando charutos, ainda tem remanescentes de esquilo. Entende? Imagine o seu personagem roedor, com seu modo de agir. Agora imagine o mesmo personagem, com a diferença que, ao falar de um jeito mais severo, acabasse cuspindo sem querer no menino umas migalhas de noz que estavam na sua boca. Para finalizar, ainda falaria alguma coisa como "Ah, perdão. São essas malditas nozes, não consigo me livrar desse vício..." (sim, usei o estereótipo da noz e o esquilo. mas entenda que não precisa ser necessariamente isso, basta que o personagem faça alguma coisa que o identifique como o animal que ele finge não ser.)
Ou seja, se pretende ser inusitado, procure criar todas as situações estranhas que puder (ou, pelo menos, as que forem mais convenientes). Use a natureza dos teus personagens e do cenário a teu favor. Se o animal "humanizado" é um esquilo, explore a sua natureza para que ele se contradiga ainda mais...
Outro caso em que tu não explorou o que tinha em mãos... A cena final. Se o chão estava coberto de pássaros, você poderia ter tomado alguns rumos na descrição, de acordo com o tipo de ambiente que tu quer criar. Por exemplo:
Se tu quisesse fazer o menino ficar ainda mais desapontado em ter que limpar, que cobrisse o chão ou as casas com cocô de pássaro também, ou penas, por que não? Se a intenção fosse fazer a cena ser mais bizarra ou mais terrível, que fizesse com que alguns pássaros não estivessem totalmente mortos, que o garoto visse asas se movendo, ou sons das aves agonizantes. Dependendo da intensidade do "terrível/bizarro" que você desejasse, até poderia descrever a maneira como eles aparentemente haviam morrido, descrevendo vísceras, sangue, etc.
Se a situação fosse cômica, um último pássaro retardatário poderia ter caído morto ao lado do garoto, assustando-o e soltando penas no chão...
Está vendo como tu não usou todas as cartas que tinha na manga? Use-as. Ou não. Isso que eu falei não é bem uma crítica, mas uma "dica" meio canalha, pois é um pouco de imposição do meu jeito de ver as possibilidades de escrita - na sua história.
Sendo assim, achar que o que eu falei é besteira ou não, depende de você. (eu não acho, e por isso acabei ficando com uma sensação de "desperdício" de oportunidades ao ler o teu texto)
Próximo Capítulo?
A.E. Melgraon I