CAPÍTULO II - O HALL DOS PALADINOS
^^ Valeu \o/
Vou aproveitar que já deram 2 dias e postar o próximo capítulo então
Capítulo II – O Hall dos Paladinos
Casas de alvenaria, prédios altos... até onde se lembrava, Freyjackiir só havia visto algo assim nos livros de história de seu mestre e tutor, com quem passara os últimos anos na ilha de Sedna, Sagreth. Olhava com curiosidade, se perguntando como alguém agüentaria passar a vida entre quatro paredes, quando se tem tanto chão pra andar mundo afora. Um pouco além do cais, Frey encontrou uma concentração de pessoas ao redor de um grande prédio, e aproveitou que um dos transeuntes estava passando próximo a ele para tirar algumas dúvidas.
- Com licença, bom homem, poderia ajudar um forasteiro que acaba de chegar em Thais? – disse.
- Bem, amigo, estou com um pouco de pressa, por isso lhe peço que seja breve. – disse o homem, em um tom entre o preocupado e o impaciente.
- Sim, com toda certeza... seria este prédio o correio da cidade?
- É, é sim, e aqui, por uma taxa, você também pode deixar seus pertences guardados... era só isso que você queria saber?
- Sim senhor, muitíssimo obrigado!
- Não há de que.
- Ah... esqueci de lhe perguntar o nome.
- Fausto, e o seu é?
- Freyjackiir Drakkanun, prazer!
- Drakkanun... – murmurava o homem enquanto se afastava para o norte. Freyjackiir já ia lhe perguntar se seu nome de família era familiar, quando uma multidão passou em seu caminho, fazendo-o perder Fausto de vista. Ainda com essa dúvida na cabeça, Freyjackiir entrou no correio e se dirigiu ao balcão.
- Boa noite, amigo, em que posso lhe ser útil?
- Boa noite... eu vim de longe, nunca estive na cidade antes, gostaria de ter uma noção básica de como é a cidade, saber onde ficam as lojas, onde são as principais saídas, entradas, e se possível saber onde eu poderia passar a noite.
- Sim, claro, deixe isso tudo comigo... vou lhe explicar tudo em miúdos...
E Benjamin começou a lhe explicar como andar em Thais, aproveitando para contar parte da história da cidade a Freyjackiir que, com certo interesse, escutava tudo atentamente. Mal sabia ele que, no quartel da polícia de Thais, um homem conspirava contra ele...
- Então foi isso que aconteceu... – dizia um homem de rosto severo e cabelos grisalhos, enquanto lia os rostos dos soldados com um olhar frio.
- Sim senhor, não tivemos chances contra aquele demônio... – disse Vincent.
- Pois levem esta carta à Torre das Serpentes... vamos deixar esse serviço com eles...
- M-mas coronel, senhor, eles são...
- Apenas cumpra a minha determinação, capitão Vincent.
- Ouço e ob-bedeço – disse Vincent, com a expressão pálida de quem estava sendo mandado de encontro à morte, enquanto dava meia volta e saia, novamente, rumo à saída da cidade.
- Vejamos quanto tempo o visitante dura nas mãos deles... há há há – a risada maligna do coronel ecoava na noite escura, como um mau presságio. Algo de muito ruim estava prestes a acontecer...
- Bem, se era só isso, lhe desejo uma boa estadia em Thais! Sempre que precisar pode falar comigo, Benjamin dos correios!
- Eu lhe agradeço, Benjamin, até mais!
Freyjackiir, agora devidamente informado, saíra do correio em direção ao Sul, novamente com a cabeça coberta pelo capuz. Andava despreocupado, como se sua chegada à cidade de Thais tivesse sido a mais tranqüila, sem a recepção calorosa de algumas horas atrás. Olhava para as estrelas, pensando em seu passado, e por pouco não passou direto pela ilustre placa que marcava seu local de destino: um arco, com uma flecha armada, apontando para a entrada e, embaixo, os dizeres: “Hall dos Paladinos”. Frey parou, observou o lugar por fora durante um tempo e, quando conseguiu se desvencilhar de suas memórias longínquas, adentrou o grande edifício, todo decorado pelos mais variados tipos de armas de combate à distância, posicionados nas paredes, e por palavras em élfico, no teto, nos móveis, por todo o lugar.
- Boa no... Waaaaahhhhhh – disse Elane, soltando um bocejo.
- Boa noite... você deve ser Elane... – disse Frey.
- Sim, sou eu mesma, Elane ao seu dispor! Em que posso ajuda-lo?
- Bem... eu venho de longe, mais precisamente da ilha de Sedna, e preciso me estabelecer aqui no continente, mas infelizmente não tenho conhecidos por aqui...
- Hmmm... sei como isso é ruim... chegar a um lugar novo e não ter nem onde passar a noite...
- Sim... mas eu estou um tanto quanto acostumado a mudanças... meu mestre, quem pediu pra que eu viesse pra cá, me entregou algo que ele disse que eu deveria lhe entregar, quando te encontrasse.
- Uma carta? Mas quem seria esse seu mestre? – disse Elane, enquanto abria a carta. Por um momento, seu rosto expressou um grande espanto.
- Sagreth?? Ele te mandou aqui?? Por favor, tira seu capuz!
- Com todo prazer... – e, ao mesmo tempo em que Freyjackiir puxava o capuz, os olhos de Elane se arregalavam cada vez mais.
- Então é você... o filho de...
Subitamente, uma esfera flamejante atravessa uma das janelas e atinge Freyjackiir em cheio, explodindo em seguida e mandando-o com força na parede.
- FREYJACKIIR??? QUEM FOI O BASTARDO QUE MANDOU ESSA BOLA DE FOGO? – Elane sacara sua besta, pronta para atirar ao menor sinal da presença inimiga.
- Hu hu hu... não se irrite, Ely, ele nem se machucou mesmo... – disse uma voz quase ofídica, em tom de gozação.
- Está tudo bem comigo, Elane... mas tome cuidado, posso sentir que esse inimigo é barra pesada – disse Frey.
- E sentiu certíssimo, meu caro elfo. Permita que eu me apres... – o homem, alto e de cabelos longos e negros como a noite, se desviara por um triz de um virote disparado por Elane na direção de sua boca.
- Opa... acho que me ver por aqui não é algo que você queria, não é, queridinha? Permita que eu me apresente... sou Ivar, caçador dos Serpentes de Baal, e vim à pedido de um cliente buscar a cabeça desse elfo. E se você se entregar sem resistência, não serei forçado a... pelo visto, você prefere brigar...
Freyjackiir estava de arco em mãos, mirando uma flecha no coração de Ivar. O silêncio mortal que se sucedeu fez com que, por um instante, o vento parasse de soprar naquele Hall...