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Tópico: Contos reais; personagens imaginários

  1. #1
    Avatar de Ldm
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    Padrão Contos reais; personagens imaginários

    Aderindo à modinha da seção, abro este tópico que, na teoria, funciona como um "Livro de Contos".

    O primeiro conto é bastante curto; talvez não tenha atingido o meu objetivo. E aconselho vocês a lerem-no vagarosamente, respeitando a pontuação.

    Boa leitura.



    Eis que surge à minha frente uma cena anormalmente hilária: um cachorro; aviso-lhes, não um cachorro comum, destes vadios e magros. Começaremos, então, do começo.

    Minha cidade é um tanto quanto porca; cidade portuária é assim mesmo; sim, moro no litoral, para quem ainda não entendeu. As latinhas de refrigerantes à mercê de um catador. Fato é que ninguém nunca teve ciência que, no meio de um lixão, minha mãe me fazia ir, todo santo dia, vender balas que ela mesma achava no lixo; que a ela mesma, após a morte de papai, me fez cumprir funções dele — sim, soa macabro e indecente: garanto-lhes que não foi. Que cada um cuide da sua bunda; e, com toda a franqueza, alguns desgarrados nem isso fazem.

    Todo o caso, fui bem educado; consegui estudar, me formar e dar para a minha mãe um casebre longe de tudo e um homem para substituir o cargo deixado vago.

    Odeio meus pais; explico-lhes o porquê com um exemplo: sabem como é que meu pai morreu? Fodendo a mamãe. E eu ri. Não por isso; o coitado já era todo fodido e deve ter morrido feliz; mas porque mamãe me repreendeu por rir.

    Falso moralismo; é isso que eu odeio.

    Sem mais delongas, apresento-lhes o ocorrido; como diria Machado de Assis, julgue-o por si mesmo; e acrescento: sem falso moralismo!

    Eis que surge à minha frente um cachorro. E dou uma pausa aqui para abrir um parêntese: ironia!, porque este cachorro, em especial, não poderia ter surgido aos meus pés.

    Mancando — e quase sendo atropelado —, o cachorro acabou parando à minha frente. E, se me permitem, insiro aqui uma pequena frase paradoxal: o triste olhar de um cego: sim, caro leitor, ele era cego.

    Surgiu então, à minha mente, uma ideia.

    Antes de contá-la, situo o leitor à situação: estávamos em uma avenida, com duas mãos com sentidos distintos, separadas por um canteiro de palmeiras; o sinal estava fechado e transeuntes passeavam, despreocupados: finalzinho de tarde, pôr-do-sol dito glorioso, as fêmeas buscando as crias na escola.

    O cão resolveu atravessar a rua: pergunto-me se saberia ele que o sinal estava fechado; quanta presunção, é claro que não. Ou assim espero.

    Com um sorriso, segui no encalço do cão. Assim que o sinal abriu, chutei-o nas pernas. Evidentemente, o cão desabou e ganiu; me dobrei de rir ao ver o seu esforço para se levantar e tentar ver de onde o tinham atingido. Soa maldoso? Se vocês vissem a si próprios como eu os vejo...

    Fato é que o cachorro não se recuperou a tempo. Um detalhe, nada mais.

    O que me chamou atenção foi uma criança. Do outro lado da avenida, ela parou para me observar e riu gostosamente ao ver o estranho cachorro caindo; sorte é que ela não assistiu à continuação da cena.

    E a mãe me repreendeu com um olhar. Acredito que se fosse um homem, teria me agredido; vi o ódio em seus olhos. Filha-da-puta.

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    Última edição por Ldm; 02-04-2010 às 01:16.

  2. #2
    Avatar de Thomazml
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    Personagens reais, conto imaginado, talvez, fosse melhor. Real, frio, duro e raivoso. Esse ódio, essa malevolencia...

    Muito boa a construção do personagem. Muito boa mesmo. Me fez sentir ódio dele, mas ao mesmo tempo, um ódio compreensivo, que entende o porque, embora o repugne. Talvez, o desenrolar tenha sido meio confuso, umas ageitadas aqui e ali, um polimento num parágrafo, trocar uma frase de lugar...

    Bom conto.
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    I Concurso do Literatura
    http://img837.imageshack.us/img837/1711/frum.jpg
    Está com vontade de ler? Clique e leia minha história!
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  3. #3
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    minha mãe me fazia ir, todo santo dia, ir vender balas que ela mesma achava no lixo;
    Tem um "ir" a mais ae djow.



    Cara, gostei do conto. Narrativa em primeira pessoa, com um narrador ágil e complexo, cheio de peculiaridades. Em poucas linhas já dá pra perceber qualé a dele.

    sorte é que ela não assistiu à continuação da cena.
    Essa frase me dá a impressão de que eu não entendi o final. Mas isso é bom; adoro essa incerteza.



    Parabéns e continue postando contos. É nozes na modinha.
    "A vida acontece bem depressa. Se você não parar e olhar em volta de vez em quando, poderá perdê-la."
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  4. #4
    Avatar de Wu Cheng
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    vender balas que ela mesma achava no lixo
    Bizarro.

    após a morte de papai, me fez cumprir funções dele — sim, soa macabro e indecente
    Realmente, bizarro.

    fui bem educado; consegui estudar, me formar e dar para a minha mãe um casebre longe de tudo e um homem para substituir o cargo deixado vago.
    Educou-se vendendo balas encontradas no lixo e comprou um homem para sua mãe.

    Correndo o risco de me repetir... bizarro.

    como diria Machado de Assis
    Conversando direto assim com o leitor, me lembrou Memórias Póstumas de Brás Cubas.

    Conto interessante, acho que faltou uma conclusão impactante que desse fechamento a todo o contexto apresentado.

    Gostaria que ele terminasse apanhando de alguém, sangrando e sendo chutado no chão junto do cachorro manco, cego e atropelado.

    Iria deixar uma imagem forte para valorizar seus últimos pensamentos insanos.

    Mas a história é sua, foi só uma viagem minha. Gostei muito do espírito delirante do protagonista.

  5. #5
    Avatar de Drasty
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    Eu me senti numa mistura de um pouco de riso, adrenalina e medo ao ler esse conto. Talvez seja porque eu tô ouvindo Mars Volta também, a adrenalina faz parte da música, mas de fato combina com o texto.

    Esse conto, me lembra um texto particular com uma tomada científica pela forma específica com que o narrador trata as coisas.

    [...] finalzinho de tarde, pôr-do-sol dito glorioso, as fêmeas buscando as crias na escola.
    A dura realidade me fez rir, será que isso me faz insano como o protagonista? Não consegui deixar de esboçar um sorriso torto quando li isso:

    [..] que a ela mesma, após a morte de papai, me fez cumprir funções dele
    Como disse o Wu Cheng, bizarro.

    E diferente do supracitado gostei desse final distante, como se a coisa fosse pouco impressionante para ele, afinal de contas, é pouco impressionante. O cara realmente estava cagando para situação. Também não deixei de ficar intrigado com a risada da criança, me soou bem natural, pontos positivos para você.

    Estou pensando em dar notas para o que eu leio aqui (faço isso para tudo agora), mas vou pensar um pouco antes de começar. De qualquer forma, para você ter uma idéia, eu daria um oito fácil aqui. Apesar desse conto ter me dado uma indisgestão danada, acho que vou ali vomitar.

  6. #6

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    Esse tipo de narrativa é perigoso, ao meu ver. Para mim, se o texto não ficar perfeito como os de Machado, eu já não gosto. xD

    Mas tenho que dizer que está muito bem escrito. Só não entendi muito bem a idéia, eu acho, principalmente o final.

    Ah... quase esqueci: bizarro!

  7. #7
    Avatar de Nisterasious
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    Que dó do cachorro,Simplesmente triste.

    Infancia sofrida,e ficou revoltado com a vida pelo que parece.

    Incentivando garotinhos,a este lado da vida.

    Simplesmente uma palavra que define tudo !

    BIZARRO!

    Boa Historia ! Parábens !
    Jesus, eu te amo!!:wub:

    Flogão (Em construção)

    Tibia Space

  8. #8
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    Como texto você escreveu bem, soube escolher as palavras certas, houve grande uso das palavras e não detectei nenhum erro ortográfico.

    Agora como enredo, não gostei. E lhe digo porquê.

    Achei o conto demasiadamente carregado do ódio do protagonista, achei que houve muita maldade no texto para nada, só pra dizer que ele tinha ódio e pronto.

    Mas isso é um ponto de vista pessoal, textos desse tipo não me agradam muito, embora outros possam pensar de outra forma, afinal a leitura é democrática.

    Repito que não reclamei do seu jeito de escrever, ele é agradável, o que não gostei foi do enredo mesmo.
    Leia minha roleplay :Terras Distantes

  9. #9
    Avatar de Ldm
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    Thomazml: Mas esta não era a proposta. O conto é baseado na minha vida, de fato, mas o personagem é fictício; logo, este título, embora mais chamativo, contradiria a proposta. Que isto fique bem claro para todos.

    Steve do Borel: Já corrigi. Quanto ao desfecho, sem querer ser deselegante, tente reler os últimos parágrafos. Acho que fica bem claro.

    Wu Cheng: Curioso que até o seu post ninguém havia comentado sobre o quão bizarro era o texto. E parece que depois do comentário, só se via uma coisa: uma sequência de acontecimentos bizarros. Sua opinião, mas acho que inconscientemente todos concordaram. Quanto ao desfecho, refleti um pouco bastante. Mas acredito ter ficado exatamente da maneira que planejei.

    Drasty: Que bom que consegui te passar todos estes sentimentos — embora ainda não tenha compreendido este medo. O riso, de fato, foi mais como aquele riso que não se deve rir; aquele riso que só se aplica pelo contexto inusitado. E fiquei contente com o oito, embora discorde; notas altas me lembram de textos acadêmicos e renomados — o que é bem diferente do que temos aqui nesta seção. Ficaria bastante contente com um saudável quatro. Bem torto, por sinal.

    PokeFan: Concordo. Mas não vi outra maneira de escrever este texto.

    Nisterasious: Parece que muitos, assim como você, viram revolta no personagem. E, por mais absurdo que pareça, nem passou pela minha mente a ideia de revolta com a vida e com o mundo ao escrever este conto; até porque não faria lógica ficar revoltado vivendo na realidade em que ele vive.

    Meltoh: Compreendo perfeitamente. Até tinha ficado surpreso com o nível de aceitação daqui, achei que seriam muito mais comentários negativos do que positivos.

    Obrigado pelos comentários.

    ***

    Bom, vamos ao segundo conto. Confesso que odiei ele. Se tivesse sido postado por qualquer outra pessoa eu teria sido extremamente maldoso e crítico... Mas fazer o quê, a ideia não queria sair da minha cabeça... Escrevi ele mais como uma remoção de uma parte podre. Por se tratar de uma leitura pesada e pouco interessante, espero menos comentários. Espero que ideias melhores apareçam.

    Eu inseri nele uma pequena dose de fluxo de consciência. Acredito que não tenha ficado verossímil e nem agradável, foi mais como um experimentalismo do que outra coisa. O desfecho me agradou, mas se vocês não prestarem atenção, talvez passe despercebido.


    Sob uma banqueta de plástico, destas de churrasco, um jovem contemplava, atônito, o movimento de uma cidade grande à noite. As luzes dançando, enlouquecendo-o; o barulho ensurdecedor dos carros buzinando, impacientes: fome, saudades, qualquer coisa. “E, se por um acaso, amor... Então a buzinada terá válido; agüento as pressões e as buzinas na esperança de que, quiça, alguma criatura consiga, de fato, amar.”

    A cidade estava aos seus pés — literalmente. Ele estava de pé na banqueta, na sacada de um prédio qualquer do décimo quinto andar.
    O vento assobiava em seus ouvidos, dizendo o que ele já sabia: tu és um fraco, covarde, fugindo da própria vida; só pelo teu pensamento, não mereces viver; joga-te agora!

    E ele inspirou; naquele breve instante, seus sentidos tornaram-se, especialmente, aguçados; ele percebeu, pela primeira vez em dezessete anos, o batuque do seu coração; a inspiração do ar, outrora necessária, agora soava mais como um prazer. Os cabelos despenteados, sob uma forte rajada de vento — eis aí o tato! —; o cheio era peculiar, quase único: fedor, por assim dizer. Medo. E na sua boca, um leve gosto adocicado... Seria o da morte? Esperava ele que sim... Se não fosse, era o chocolate que degustara há algum tempo — tempo cronológico, porque já lhe pareciam longos dias desde o ovo de páscoa que sua mãe lhe dera.

    Quanta coincidência, mencionar sua mãe. Seria a única que sentiria saudades; e a única a quem ele direcionava toda aquela pena que estava sentido de si mesmo. Sentir pena de si mesmo, querendo sentir pena da mãe... Quanto egocentrismo, quanto egocentrismo...

    Contudo, era a verdade. Sua mãe seria a única que jamais o esqueceria. Por um instante, pensou em desistir; pensou em descer daquela banqueta e ir tomar uma água; pensou em dar uma chance a vida, já que ela não parecia dar chances a ele. Pensou, nada mais; como um fogo que tenta, debilmente, acender-se em meio à uma tempestade, transformando-se em um fiapo de fumaça.

    E ele inspirou novamente, como se o ar fosse coragem; não demorou ele a descobrir que não era.

    E como seria morrer? Tão bom quanto dormir? Ou até mesmo melhor? Algo como apagar, esquecer, não sentir mais nada, apenas morrer... Dormir como se não houvesse um ontem e um hoje. Era isso que ele esperava; porque, se isto não acontecesse... Não, teria de acontecer.

    E quanto aos motivos? Tentou acalmar a si mesmo, tentou relembrar dos motivos claramente, tentou mostrar a si mesmo que era o que devia ser feito; agora, com o vento em seu rosto, não pareciam tão convincentes; infância ruim, humilhações, decepções, ódio? Soavam tão infantis...

    “Puta que pariu agora só falta mesmo se jogar o que será que acontece quando morre será que é como dormir então deve ser bom eu adoro dormir uma das únicas paixões que eu tenho ou será tinha bom na verdade ainda não morri mas sei lá os meus amigos será que sentirão falta de mim ou eu ficarei esquecido e ainda vão rir quando me virem todo fodido lá embaixo bom não importa eu sempre fui fodido de todo o jeito na verdade eu não viveria muito mais do que isso eu sou sem braço mas os jornais quando encontrarem o meu corpo o que será que vão pensar que um retardado de 17 anos se jogou e causou um puta fusuê no trânsito e talvez eu atrase o jantar de muitas pessoas e talvez uma filha se decepcione com o pai porque hoje era a apresentação dela e alguém se jogou da porra do prédio e atrapalhou o pai dela e o pai nunca vai conseguir explicar isso e a culpa vai ser minha como se eu tivesse culpa de querer morrer e porra que merda eu não consegui ver o Metallica ao vivo nem AC/DC aliás eu nunca fui num show eu poderia ter ido só pra sentir a emoção mas eu preferi ficar em casa e ainda falei que vinha parentes na minha casa eu podia ter ficado com alguém e agora que eu to pensando nisso eu nunca comi ninguém velho e eu jurei que não morreria sem fazer isso que porra eu nunca vou saber como é meter numa mulher e sentir a adrenalina de ver ela gemendo e se contorcendo e ver o suor em seu corpo e saber que foi causado por você e por mais ninguém e agora pensando em adrenalina eu me toquei que não consegui nem descobrir por que que o mar tem ondas sempre quis perguntar isso pro meu pai mas na verdade eu nunca vi o mar e na verdade eu nunca tive um pai nem sei o que é isso e são tantas coisas que eu não tive a oportunidade de ver ou de conhecer ou de fazer minha mãe sempre disse isso cala a boca não fale do que não sabe o que será que ela sentirá quando eu morrer será que chorará por mim e acabará desistindo de viver ou vai continuar com sua vida porque ela dizia que morreria junto se eu morresse tomara que de onde eu teja vai dar pra saber se ela falava sério ou era só da boca pra fora eu não devia tar falando isso eu não quero que minha mãe morra junto comigo e agora com essa história de ver as coisas de outro lugar me lembrei de Deus será que Deus existe porque se ele existir vai ser como ir direto pro inferno porque eu num tenho o direito de me matar mas e se for o Deus do islamismo bom daí vou tar mais fodido ainda porque adorei outro Deus mas afinal o inferno não pode ser pior do que aqui na verdade o inferno é aqui e ninguém quer entender ninguém quer saber todos preferem continuar achando que só por estar vivo já é uma dádiva de Deus e eu fico puto com isso minha mãe me faz agradecer na hora de comer e é um saco ter que ficar decorando aquelas rezas que eu não entendo nada o inferno são os outros e nada mais me importa aquela menina que eu fiquei no natal será que ela se lembra de mim porra nunca cheguei a saber se eu beijo bem ou não porque só dei esse beijo e eu ficava com vergonha de pedir mais e agora me toco como era retardado eu poderia agarrar qualquer uma eu ia morrer mesmo um pouco mais cedo é verdade mas iria morrer por que cargas d’água eu to pensando nisso não era minha intenção mas nunca é a intenção de ninguém os pensamentos são idéias livres que voam e tomam o rumo que quiserem e afinal eu não sei o que é uma cigana oblíqua e dissimulada nunca estudei literatura e pensando bem eu deveria ter estudado pelo menos teria algo decente pra pensar agora e eu não quis ir eu num circo nunca conheci um palhaço e como é belo o trabalho dos palhaços e o que será que acontece se um palhaço fica triste ou será que o palhaço não pode ter sentimentos por que na verdade ele tem que alegrar e não entristecer os outros e eu acho que nunca me apaixonei tanta gente escrevendo sobre o amor e eu não vou poder nem pensar nisso direito porque nem sei o que é o amor todos dizem que morreriam por seus amores eu não morreria nem por minha mãe ou será que não acho que sim acho que eu morreria pela minha mãe é como se minha mente estivesse cuspindo em mim tudo que não fiz como se ela quisesse que eu desistisse dessa porra toda e ir comer um frango mas eu não posso a morte não pode ser pior do que a vida.”

    Chega, estava decidido. Ele iria pular. Não fosse por uma voz, doce e amável, perguntando-lhe:

    — Querido, o que está fazendo na sacada? Venha comer, os ovos estão prontos. Rápido, antes que esfriem!

    Hesitou por um momento; era agora. Respirou fundo, preparou-se e...

    — Já vou, mãe.



    No dia seguinte, em um ônibus, uma conversa iniciava-se. Conversa de ônibus... Desta vez, sobre o jornal.

    — Nossa! Aonde esse país vai pará, meu Deus!

    — Que tragédia que deu hoje?

    — Um doido intero se jogo do andar dezoito.

    — Jesus, virge Maria, que Deus o tenha. Mas como que foi acontecê um troço desses?

    — Num sei, só sei que o coitado tá tudo despedaçado. Dissero aqui que num sobro nem o branco do olho intero. E o pior é que num era nem home ainda, tava nos vinte.

    — É né, é assim mesmo, essa juventude tá perdida...
    Última edição por Ldm; 08-04-2010 às 18:26.

  10. #10
    Avatar de Thomazml
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    Hmm

    Texto interessante. Suicidas. Recorrente na seção. Será que somos todos nerds depressivos e anti-sociais? :O

    Gostei dos pensamentos dele, essa revoada, essa dúvida. Fora suicidas que não hesitam! Fora suicidas que não pensam em nada, ou em só uma coisa! Queremos suicidas humanos! Queremos suicidas pensantes!

    Como eu disse no conto anterior: a criação de personagem é fantástica. Há vida nessa morte (perdoe o trocadilho horrível)! E como há vida!

    Não gostei, entretando, o grande parágrafo sem pontuação. Cansou enormemente a leitura. Entendi o que você quis passar, mas acredito que consiga de uma outra forma.

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