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![]() ![]() Registro: 06-08-2005
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Lisboa - Os escândalos no Brasil causam um terremoto em duas das principais empresas de Portugal e os jornais do país passam a classificar Lisboa como ´a capital do mensalão". O Banco Espírito Santo ordenou "a maior operação de auditoria" interna jamais feita pela instituição em todos os seus principais escritórios no mundo para apurar se o banco manteve algum tipo de relação com o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares e o publicitário Marcos Valério. A informação foi publicada no jornal Expresso de Lisboa.
Outra entidade citada como supostamente envolvida no escândalo do mensalão, a Portugal Telecom, pode acelerar as substituições em seu Conselho Administrativo por causa dos escândalos. Um dos lugares ainda vagos no conselho era o que chegou a ser ocupado pelo ex-ministro brasileiro, Pedro Malan. No caso do banco, foram auditadas por enquanto as agências nos Estados Unidos, principalmente Miami, Macau, França, Brasil e na Suíça, um dos principais paraísos fiscais. No caso da agência de Miami, o senado dos Estados Unidos já informou em 2004 que foram encontrados indícios de contas do ex-ditador chileno Augusto Pinochet no Banco Espírito Santo e o assunto arranhou a imagem da empresa. Já no caso do mensalão, nenhuma relação do banco com os envolvidos foi encontrada nessa auditoria. A apuração foi ordenada pela cúpula da instituição e em caráter de emergência após o anúncio do deputado Roberto Jefferson sobre as reuniões mantidas em Lisboa e Brasília entre Valério, Dirceu e o banco. Segundo a direção, a auditoria foi concluída na quinta-feira. Já no caso da Portugal Telecom, as acusações de Jefferson também apontam para reuniões entre o presidente da empresa, Miguel Horta e Costa, e Valério. O encontro foi confirmado pela companhia em Lisboa. Mas apesar de o escândalo não ter afetado por enquanto as ações da Portugal Telecom, o caso pode ter acelerado a substituição no seu Conselho de Administração. Segundo a reportagem do jornal Expresso, o governo português "não esconde sua insatisfação" com a direção da empresa depois do escândalo. Um mal-relacionamento entre os executivos da Portugal Telecom e a Telefônica, principal acionista estrangeira, também não foi visto com bons olhos pelo governo, que ainda mantém a golden share da empresa. Como a Europa está em plenas férias de verão, uma definição sobre as substituições somente ocorrerá quando o primeiro-ministro do país e os demais membros do gabinete retornarem ao trabalho a partir do dia 16. Um entendimento entre o governo português e a Telefônica terá de ser feito também para que as mudanças ocorram. Um dos que pode ser removido seria o atual diretor-executivo, Ernâni Lopes. Outro tema em debate é exatamente o relacionamento acionário entre a Portugal Telecom (PT) e o Banco Espírito Santo. A instituição financeira poderia reduzir sua posição na PT, mas Ricardo Salgado, presidente do banco, dá indicações que não fará isso enquanto estiver no comando. Explicações Quem também aparece nas páginas dos jornais portugueses é o senador Delcídio Amaral. Ele afirma que o presidente Lula "terá de se explicar" e que ele deve isso aos brasileiros. Para o senador, o comportamento de Lula de acusar as elites aproxima seu discurso ao de Hugo Chavez, polêmico presidente venezuelano, mas continua insistindo que não acredita que Lula sabia dos esquemas de corrupção. Na avaliação de Amaral, os discursos improvisados de Lula "não ajudam". Para ele, Dirceu também terá de explicar as várias denúncias e responde afirmativamente se acredita que seria necessário algum entendimento entre os partidos para permitir que Lula termine o mandato e que o Congresso não fique paralisado. "O País tem uma agenda mínima a cumprir", diz. Jamil Chade e Jair Rattner Publicidade |
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