xyvon
28-08-2008, 16:18
Olá.
Venho a comunicar-me com vossas senhorias para tratar de um assunto assaz intrigante e peculiar: a ÉTICA.
Atualmente, esse assunto está muito em voga, tanto no Brasil como em vários outros países do mundo. Vários dilemas são discutidos até mesmo na justiça, e nunca há uma opinião unânime a respeito do assunto. A discussão sobre eutanásia e pesquisa com células-tronco embrionárias são exemplos de dilemas que não têm fácil solução. Hoje está-se discutindo no Congresso o aborto de bebês com anencefalia, por exemplo. "Já que os bebês vão morrer, mesmo, para que alongar o sofrimento da mãe e do filho?", perguntam uns. "Porque o bebê é um ser vivente, e tem direito à vida", respondem outros.
O texto que vos trago é um dilema apresentado por Lawrence Kohlberg, um filósofo que estudou o campo da moral e propôs (ou pegou do google) esse dilema.
Além disso, caiu na prova de hoje, achei sagaz e perspicaz e queria compartilhar com vocês.
Aí vai:
"Numa cidade da Europa, uma mulher estava quase a morrer com um tipo muito raro de cancro. Havia um remédio, feito à base de Rádio, que os médicos imaginavam que poderia salvá-la, e que um farmacêutico da mesma cidade havia descoberto recentemente. A produção do remédio era cara, mas o farmacêutico cobrava por ele dez vezes mais do que lhe custava produzi-lo: O farmacêutico pagou €400 pelo Rádio e cobrava €4000 por uma pequena dose do remédio. Henrique, o marido da enferma, procurou todos os seus conhecidos para lhes pedir dinheiro emprestado, e tentou todos os meios legais para consegui-lo, mas só pôde obter uns €2000, que é justamente a metade do que custava o medicamento. Henrique disse ao farmacêutico que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe que vendesse o remédio mais barato, ou que o deixasse pagar a prestações. Mas o farmacêutico respondeu: ‘Não, eu descobri o remédio e vou ganhar dinheiro com ele’. Assim, tendo tentado obter o medicamento por todos os meios legais, Henrique, desesperado, considera a hipótese de assaltar a farmácia para roubar o medicamento para sua esposa. O Henrique deve roubar o medicamento?”
Kohlberg
Essa pergunta pode parecer simples a princípio. Mas há vários aspectos a serem levados. O farmacêutico tem direito a fazer o que quiser com o medicamento, e pode estar precisando do dinheiro. É protegido por lei, já que roubar é anti-ético. Mas, por outro lado, a mulher de Henrique está entre a vida ou morte, e roubar o medicamento pode ser o único meio que ele tem de salvar sua amada.
O que apoiar, portanto? Quem tem prioridade, Henrique ou o farmacêutico? O inventor do remédio seria obrigado a se desfazer do seu invento (e do salvador Dinheiro) ou Henrique tem que aceitar a morte de sua mulher?
Venho a comunicar-me com vossas senhorias para tratar de um assunto assaz intrigante e peculiar: a ÉTICA.
Atualmente, esse assunto está muito em voga, tanto no Brasil como em vários outros países do mundo. Vários dilemas são discutidos até mesmo na justiça, e nunca há uma opinião unânime a respeito do assunto. A discussão sobre eutanásia e pesquisa com células-tronco embrionárias são exemplos de dilemas que não têm fácil solução. Hoje está-se discutindo no Congresso o aborto de bebês com anencefalia, por exemplo. "Já que os bebês vão morrer, mesmo, para que alongar o sofrimento da mãe e do filho?", perguntam uns. "Porque o bebê é um ser vivente, e tem direito à vida", respondem outros.
O texto que vos trago é um dilema apresentado por Lawrence Kohlberg, um filósofo que estudou o campo da moral e propôs (ou pegou do google) esse dilema.
Além disso, caiu na prova de hoje, achei sagaz e perspicaz e queria compartilhar com vocês.
Aí vai:
"Numa cidade da Europa, uma mulher estava quase a morrer com um tipo muito raro de cancro. Havia um remédio, feito à base de Rádio, que os médicos imaginavam que poderia salvá-la, e que um farmacêutico da mesma cidade havia descoberto recentemente. A produção do remédio era cara, mas o farmacêutico cobrava por ele dez vezes mais do que lhe custava produzi-lo: O farmacêutico pagou €400 pelo Rádio e cobrava €4000 por uma pequena dose do remédio. Henrique, o marido da enferma, procurou todos os seus conhecidos para lhes pedir dinheiro emprestado, e tentou todos os meios legais para consegui-lo, mas só pôde obter uns €2000, que é justamente a metade do que custava o medicamento. Henrique disse ao farmacêutico que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe que vendesse o remédio mais barato, ou que o deixasse pagar a prestações. Mas o farmacêutico respondeu: ‘Não, eu descobri o remédio e vou ganhar dinheiro com ele’. Assim, tendo tentado obter o medicamento por todos os meios legais, Henrique, desesperado, considera a hipótese de assaltar a farmácia para roubar o medicamento para sua esposa. O Henrique deve roubar o medicamento?”
Kohlberg
Essa pergunta pode parecer simples a princípio. Mas há vários aspectos a serem levados. O farmacêutico tem direito a fazer o que quiser com o medicamento, e pode estar precisando do dinheiro. É protegido por lei, já que roubar é anti-ético. Mas, por outro lado, a mulher de Henrique está entre a vida ou morte, e roubar o medicamento pode ser o único meio que ele tem de salvar sua amada.
O que apoiar, portanto? Quem tem prioridade, Henrique ou o farmacêutico? O inventor do remédio seria obrigado a se desfazer do seu invento (e do salvador Dinheiro) ou Henrique tem que aceitar a morte de sua mulher?